Gente, eu preciso contar uma coisa que mudou completamente a forma como eu vejo esse acidente de avião em Palmas. Vocês já sabem a parte que doeu o coração de todo mundo: o médico Éderson da Silva, de 68 anos, e a esposa dele, Roseli Amarilda Pechulo Silva, de 62, donos do Hospital São Lucas, em Redenção, no Pará, morreram no último sábado quando a aeronave em que voltavam para casa caiu poucos minutos depois de decolar de Palmas, no Tocantins. O piloto, Hamilton Lopes da Conceição, de 79 anos, sobreviveu ao impacto e segue internado em estado instável no Hospital Geral de Palmas.
Mas o que ninguém tinha contado ainda é isso: a pista de onde essa aeronave decolou, o chamado aeródromo Condomínio Sítio Flyer, conhecido também como City Fly, está proibida de operar pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) há pelo menos um ano, e a irregularidade se arrasta desde 2020. Isso mesmo: aquele local nunca teve a papelada certinha para receber pousos e decolagens. Faltam desde a comprovação de transferência de propriedade até a procuração eletrônica do responsável legal, e o processo de regularização simplesmente nunca foi concluído.

E o pior: a própria Anac confirmou que o Sítio Flyer nem consta na lista de aeródromos autorizados de Palmas. Atualmente, só existem duas áreas privadas com operação legalizada na capital tocantinense, e essa pista não é uma delas. Ou seja, todo voo que saía dali estava operando na clandestinidade, escondido da fiscalização.
Depois da tragédia, o atual proprietário do terreno onde fica a pista foi até a delegacia registrar um boletim de ocorrência, deixando bem claro: os voos realizados ali não são autorizados. Um representante dele, que preferiu não se identificar, revelou que o imóvel é alvo de uma disputa de posse na Justiça e que voos clandestinos acontecem com frequência no local, mesmo com a interdição em vigor. Gente, imagina só quantas decolagens escondidas já saíram dessa pista sem que ninguém soubesse, até o dia em que virou tragédia.
A aeronave, um modelo EMB721C, caiu por volta das 10h de sábado em uma área de vegetação fechada, próxima a um loteamento na zona rural de Palmas, logo depois de levantar voo com destino a Redenção, no sul do Pará. Moradores relataram ter ouvido um estrondo forte segundos após a decolagem, seguido da aeronave perdendo altitude rapidamente até o impacto. Roseli morreu ainda no local, presa às ferragens. Éderson foi retirado com vida e chegou a receber atendimento do Samu, mas sofreu uma parada cardiorrespiratória e não resistiu durante o socorro.
Vale destacar que o avião estava com o Certificado de Verificação de Aeronavegabilidade válido até 2027. Ou seja, a aeronave em si não era o problema. O problema era de onde ela estava saindo.

O casal, muito querido em Redenção, teve os corpos velados nesta segunda-feira em uma igreja da cidade paraense, recebendo homenagens de amigos e familiares antes do sepultamento, marcado para as 10h no cemitério público do município. Éderson tinha mais de 40 anos de atuação médica na região.
As causas técnicas exatas da queda continuam sob investigação da perícia, mas a revelação sobre a irregularidade da pista muda completamente a pergunta que fica no ar: quantas outras pistas clandestinas como essa existem escondidas pelo Brasil, recebendo voos sem qualquer fiscalização, só esperando a próxima fatalidade para virarem notícia?