Meus amores, cheguei da academia no Leblon com o cabelo ainda preso e já corri pra reservar horário no cabeleireiro, porque essa Kátia vai a Brasília. Caiu no meu e-mail um convite de nome deliciosamente sem-vergonha, o Piru Music Fest, e antes que alguém torça o nariz pro batismo: é festival de rock, gente, dos bons, e a oitava edição promete. Já estou vendo passagem e escolhendo o look que aguenta pogo.
Vamos ao fato, porque é serviço puro. O Piru Music Fest acontece no dia 15 de agosto, um sábado, a partir das 14h, na Quadra Poliesportiva da 1A Etapa QN 14D, no Riacho Fundo II. Sobem ao palco cinco bandas brasilienses, Cerrado Hostil, Ghon, Podrera, Seu Roque Tupinambá e Vasto Infinito, e o melhor de tudo: a entrada é franca. De graça, meus amores, num país onde até fila de banheiro de show hoje custa caro. Anota aí e não me venha dizer depois que não avisei.

E aqui vem a parte que me faz respeitar de verdade, porque por trás do nome brincalhão tem estrutura séria. O evento é organizado pelo produtor e músico Marcelo Podrera, da Eu e Eu Produções, e faz parte do Circuito Underground de Festivais do DF, projeto com fomento do Fundo de Apoio à Cultura (FAC). São cinco festivais de rock independente autoral circulando por diferentes regiões administrativas. Ou seja: não é festinha improvisada de garagem, é política cultural funcionando, com dinheiro público chegando na ponta certa, na cena que sustenta banda autoral.
Deixa eu fazer minha leitura, que é pra isso que existo. O circuito começou em 16 de maio com a 22ª edição do Headbangers Attack Festival, na Aruc, no Cruzeiro, e seguiu em 18 de julho com o Casa1221 Fest, no Coreto Bar & Cultura, no Gama. Reparem no movimento: cada etapa numa região diferente, levando rock autoral pra quem normalmente fica de fora do mapa dos grandes shows. Isso é descentralização cultural de verdade, longe dos holofotes e das bilheteria caríssima, e ninguém fala disso porque não tem celebridade chorando envolvida. Pois eu falo.

Podem rir do nome à vontade, que eu ri primeiro, mas festival autoral de graça, com fomento público e cinco bandas da terra, merece mais aplauso do que muito lançamento pomposo que eu cubro de champanhe na mão. Vou pra Brasília, vou dançar até o chão, e volto contando quem tocou melhor. Se me acharem no meio do pogo com brinco de brilhante, finjam que não viram.