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Kátia Flávia
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Pietra Bertolazzi ironiza BTS em pedido de desculpas e cita 70 golpes

A influenciadora conservadora voltou às redes com um vídeo em que finge se retratar com o BTS e conta que teve contas bancárias abertas em seu nome. O único trecho do vídeo em que ela não faz piada é justamente o que termina em delegacia.

Kátia Flávia

30/07/2026 16h44

Pietra Bertolazzi voltou às redes com um vídeo em tom de ironia sobre o BTS e revelou que enfrentou golpes financeiros em seu nome.

Pietra Bertolazzi voltou às redes com um vídeo em tom de ironia sobre o BTS e revelou que enfrentou golpes financeiros em seu nome.

Onze da noite em Ibiza, eu já tinha desistido do celular, e aí chega o vídeo. Pietra Bertolazzi de volta, cabelo escovado, quadro atrás, tom de quem vai ler ata de condomínio. Sentei na varanda e assisti três vezes.

Ela abre fazendo o balanço da semana. Missa diária, aulas sobre os quatro evangelhos para as alunas do círculo dela, vinte e cinco quilômetros de corrida, alguns litros de caldo de ossos e o cancelamento pelo maior fandom do planeta. Nessa ordem. A ordem é a piada inteira.

Depois vêm os recados. Inscrições de mesária feitas em nome dela em todos os estados do Brasil, e ela responde que no Acre o clima resseca a pele, que em Manaus a umidade não favorece o cabelo, e que se alguém conseguir Florianópolis em outubro a conversa muda. Filiação partidária registrada sem autorização, fotos do Lula chegando pelo correio, boneco de vodu, pedidos de delivery entregues no endereço dela. Tudo relatado com a cara de quem está lendo boletim paroquial.

O suposto pedido de desculpas vem embrulhado como nota de esclarecimento. Depois de profunda reflexão e muita pesquisa antropológica, ela diz ter compreendido que o BTS representa o auge da virilidade masculina oriental e ocidental, sete guerreiros espartanos presos em corpos de astros do K-pop. Emenda pedindo perdão do fundo do coração por ter duvidado disso um dia. E finaliza a retratação implorando para pararem de mandar comida na casa dela. Retratação nenhuma, portanto. É a mesma posição de antes, agora com incenso.

Aí o vídeo muda de temperatura e some o deboche. Contas em banco abertas com o nome dela e mais de setenta tentativas de compra num cartão da PicPay que ela nem lembrava que tinha. Ela chama de crime, cita a atuação da delegacia de crimes cibernéticos de São Paulo e encerra o assunto ali mesmo, sem alongar. Reparem no contraste: a parte engraçada dura minutos, a parte criminal dura segundos e é a única dita sem ironia.

O fecho é a tese que ela realmente veio defender. Febre passa. Backstreet Boys, NSYNC, Menudo, cada década com o seu ídolo definitivo e o seu exército jurando eternidade, todos hoje virados peça de museu de cera. Em vinte anos, diz ela, aquilo será trilha sonora da adolescência de gente cansada demais para organizar mutirão de cancelamento.

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