Eu estava saindo do almoço em Sintra, praticamente correndo para casa porque tenho trabalho suficiente para cancelar qualquer pretensão de vida social, quando recebo uma chamada de vídeo. Atendo. Na tela: Philippe Coutinho, Vini Jr., Marcelo, Roberto Firmino, Mats Hummels. Não pessoalmente, infelizmente. Em camisas. E algumas delas carregando partidas que colecionador de futebol reconhece de longe.
Philippe Coutinho abriu parte da coleção acumulada durante a carreira para uma série de três leilões beneficentes realizados pela MWS. Entram peças usadas pelo próprio jogador com a Seleção Brasileira e camisas trocadas com nomes como Vini Jr., Marcelo, Roberto Firmino, Christian Eriksen, Mats Hummels, Willian, Oscar, Pedro, Mamadou Sakho e Wilfried Zaha.

E não é desapego de closet de jogador rico. A arrecadação será destinada ao Instituto Philippe Coutinho, que mantém um programa esportivo voltado a crianças em situação de vulnerabilidade e, segundo as informações divulgadas, atende atualmente 272 crianças. Aqui meu lado capitalista faz as pazes com meu lado fofoqueiro: memorabilia vira dinheiro e o dinheiro volta para um projeto social.
O primeiro leilão já foi aberto e reúne três camisas utilizadas por Coutinho com a Seleção Brasileira, além de uma peça da seleção francesa de Mamadou Sakho, ex companheiro do brasileiro no Liverpool. Essa rodada fica disponível até 7 de outubro.
Depois vem uma peça com história suficiente para deixar colecionador coçando o cartão. A segunda etapa, aberta em 7 de outubro, terá uma camisa de Mats Hummels trocada com Coutinho após Liverpool 4 a 3 Borussia Dortmund, pelas quartas de final da Europa League de 2015/16. O Liverpool chegou a estar perdendo por 3 a 1 antes de virar aquela partida e avançar. Também entram camisas de Christian Eriksen pelo Tottenham, Pedro pelo Chelsea e Marcelo pelo Real Madrid. Os lances dessa fase seguem até 14 de outubro.
A última rodada começa em 21 de outubro. Aí o armário fica ainda mais brasileiro: entram camisas de Roberto Firmino pelo Liverpool, Willian e Oscar pelo Chelsea e Vini Jr. pelo Real Madrid, além de uma peça de Wilfried Zaha pelo Crystal Palace. O encerramento está marcado para 28 de outubro.
Para quem olha isso como mercado de colecionáveis, existe um ponto fundamental: autenticidade. As peças leiloadas pela MWS contam com autenticação da tecnologia Fabricks, sistema utilizado pela plataforma para verificar itens esportivos e fornecer certificado digital. Camisa histórica sem procedência é tecido. Com origem comprovada, entra em outro campeonato.

Cheguei em casa em Sintra com computador para abrir, trabalho acumulado e aquela chamada de vídeo ainda na cabeça. Coutinho colocou Vini Jr., Marcelo, Firmino e companhia na vitrine por uma razão bastante concreta: transformar pedaços da própria carreira em recursos para 272 crianças. Agora começa a outra disputa. A do martelo.