Phil Campbell passou a vida aumentando o volume, mas foi o silêncio de uma UTI que calou o guitarrista galês aos 64 anos. Ícone do Motörhead, ele não resistiu às complicações da operação justamente quando tentava frear o ritmo de shows na marra, depois de suspender apresentações na Austrália e na Europa porque o corpo já não segurava mais a mesma rotina que o transformou em lenda.
Em fevereiro, o aviso parecia só mais um “adiamos a turnê, beijo, nos vemos em breve” de banda de rock cansada. A Phil Campbell and the Bastard Sons dizia que todas as datas entre março e maio estavam canceladas por recomendação médica e prometia cuidar da saúde do guitarrista. Poucas semanas depois, o tom mudou: a família apareceu para informar que ele tinha morrido “pacificamente” depois de uma longa batalha na UTI, vítima de complicações de uma cirurgia descrita apenas como “complexa” e “de grande porte” e, de repente, o texto burocrático virou comunicado de despedida.
A história de Phil desmonta a fantasia de que roqueiro envelhece como se nada tivesse acontecido. Estamos falando de um cara na casa dos 60, com mais de três décadas de Motörhead nas costas, discos em sequência, tours intermináveis, som ensurdecedor, horas de voo e de estrada como se ainda tivesse 30. Quando o corpo finalmente pediu água, o caminho foi direto da planilha de shows para o centro cirúrgico e daí para uma UTI da qual ele não saiu.
Nem o comunicado da família entrou no piloto automático. Em vez de só repetir títulos e prêmios, o texto fala de um marido devotado, de um pai carinhoso e de um avô apelidado de “Bampi”, aquele sujeito que tanto fazia riff em festival quanto abraçava todo mundo de forma constrangedoramente fofa no backstage. Depois do fim do Motörhead, em 2015, Phil escolheu montar uma banda com os três filhos, seguir tocando em festival, lançar música nova e não viver só de cover de si mesmo e é justamente isso que torna essa morte ainda mais indigesta: quando ele parecia ter encontrado um jeito um pouco mais gentil de envelhecer no metal, o próprio corpo tratou de puxar o cabo de força.
Phil Campbell morre aos 64 após cirurgia e escancara o lado mais cruel da vida na estrada
Guitarrista passou semanas na UTI depois de uma cirurgia de grande porte, morreu um mês após cancelar turnês por ordem médica e virou o lembrete mais incômodo de que, no rock, a conta de décadas de palco, aeroporto e noite virada sempre chega cedo ou tarde, e quase nunca de forma bonita.
Integrante do Motörhead por mais de três décadas, Campbell morreu aos 64 anos na sexta-feira, 13 de março. (Foto: Reprodução/Internet)