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Kátia Flávia
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PF prende MC Ryan e Poze em operação bilionária da Federal

Funkeiros viraram alvo de uma ofensiva da PF contra lavagem de dinheiro e a manhã já começou com algema, joia apreendida e Porsche na foto. O enredo tem cifra de R$ 1,6 bilhão, cripto, dinheiro vivo e aquele perfume de ostentação que a polícia adora farejar

Kátia Flávia

15/04/2026 8h15

PF prende MC Ryan e Poze em operação bilionária da Federal | Reprodução (Instagram e Spotify)

PF prende MC Ryan e Poze em operação bilionária da Federal | Reprodução (Instagram e Spotify)

Eu estou aqui na Itália com cara de café mal passado e dedo nervoso no celular, quando a manhã resolveu entregar um roteiro de Brasil em estado bruto. A Polícia Federal prendeu MC Ryan e Poze do Rodo nesta quarta, em uma operação contra lavagem de dinheiro ligada a uma suposta organização criminosa que, segundo a investigação, movimentou R$ 1,6 bilhão. A coisa não veio miúda, veio com mandado, foto de apreensão e vocação para parar a internet antes mesmo do povo terminar o pão na chapa.

O fato é simples, ainda que o caso seja graúdo. Os dois foram alvos de mandado de prisão numa ação autorizada pela Justiça Federal em Santos, com apoio da FICCO, e a PF também apreendeu joias, relógios de luxo e carros importados. Segundo a reportagem, a suspeita é de um sistema estruturado para ocultação e dissimulação de valores, com operações financeiras de alto valor, transporte de numerário em espécie e transações com criptoativos. Em português claro, a polícia está dizendo que não era bagunça de fim de festa, era engrenagem.

Tem mais. Parte dessa dinheirama, segundo a apuração, estaria relacionada a atividades empresariais e artísticas, o que joga gasolina num debate que o Brasil adora fingir que não existe. Quando dinheiro do entretenimento entra na mira da polícia, o palco muda na hora. O artista deixa de ser só artista e vira peça de um tabuleiro muito mais feio, onde imagem, empresa, show, contrato e circulação de grana passam a ser lidos com lupa.

E eu nem preciso inventar o bastidor digital, porque ele já vem pronto quando a notícia explode desse jeito. O nome dos dois vira assunto, a foto da apreensão corre mais que fofoca em camarim e o público se divide em dois blocos muito brasileiros: o que grita perseguição e o que já sai distribuindo sentença pelo Wi-Fi. No meio disso, a estética da ostentação, que sempre foi combustível da persona de vários nomes do funk, ganha outro peso quando aparece dentro de relatório policial. A corrente deixa de ser só corrente. O carrão deixa de ser só carrão. Vira imagem de prova, ou pelo menos de narrativa.

Ao todo, a operação cumpre 90 mandados judiciais em vários estados e ainda incluiu medidas de constrição patrimonial, como sequestro de bens e restrições societárias. Ou seja, não é uma batida qualquer para render manchete até a hora do almoço. É operação de fôlego, daquelas que já nascem com a ambição de desmontar estrutura, travar patrimônio e deixar recado. E recado da PF, meu amor, nunca vem em bilhetinho perfumado. Vem com sirene, foto oficial e um estrago de reputação que não cabe nem no porta-malas da Porsche.

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