Pedro Cardoso publicou um texto duro sobre o cenário eleitoral brasileiro e afirmou que a imprensa trata a eleição como se o país vivesse uma normalidade democrática. Para o ator, políticos ligados a tentativas de ruptura institucional não deveriam ser apresentados como participantes legítimos da disputa.
Eu estava espremendo limão e amassando alho para temperar o frango do almoço quando o telefone acendeu com o texto de Pedro. Parei com a mão cheirando a cozinha e li tudo. Agostinho Carrara, lá de Paris, soltando um manifesto contra golpista, imprensa, rede social e democracia de fachada antes do meu frango entrar no forno? Domingo ganhou outro tempero.
“A notícia a ser dada é a do provável colapso do pouco que resta de nossa democracia”, escreveu. “Mas, em lugar dessa verdade, os golpistas são reportados como se fossem legítimos participantes de uma democracia. Não o são!”

Pedro está em Paris com a peça Recém-Nascido, mas deixou claro que continua acompanhando o Brasil de perto. No texto, ele criticou candidatos que defendem anistia para envolvidos em tentativas de golpe e a libertação de Jair Bolsonaro, além de questionar a maneira como parte da cobertura política enquadra esses grupos.
Aí eu coloquei o frango na travessa e fiquei pensando: Pedro não fez post para pedir engajamento, não. Fez um textão de quem está irritado com a ideia de que todo mundo precise fingir que nada aconteceu e que basta colocar os candidatos numa mesma bancada para a democracia estar funcionando perfeitamente.
O ator também mirou as plataformas digitais. Para ele, as redes controladas por empresas estrangeiras não são espaços neutros e ajudam a alimentar agressividade, desinformação e debates reduzidos a aprovação ou rejeição. “Não há nenhuma rede (anti)social que seja nacional brasileira”, disparou.

Pedro citou Estados Unidos e China ao falar de influência tecnológica e disse enxergar a circulação dessas ferramentas como uma forma de interferência na vida política brasileira. No fim do texto, ampliou o ataque a parte dos candidatos ao Legislativo e a integrantes do Judiciário, relacionando esse cenário ao risco que enxerga para as instituições.
Fui lavar as mãos e me deu vontade de rir, porque Pedro Cardoso tem um talento particular para não entrar numa conversa sem virar a mesa. O homem está em Paris, poderia estar mostrando baguete, museu, casaco bonito e paisagem cinza. Mas não. Resolveu olhar para o Brasil e dizer que o país está dançando perto do abismo.
A fala é uma análise política dele, não um diagnóstico oficial do país. Mas o peso do post está justamente na falta de meio-termo. Pedro não escreveu que está preocupado. Escreveu que vê um “provável colapso”. E, vindo de alguém que sempre falou o que pensa, a internet já sabe: não foi indireta. Foi sirene.