Eu estava na Piazza Corduscio em Milão fazendo um lanchinho entre uma fofoca e outra, quando dei de cara com esse momento de televisão afetiva com verniz de despedida bem resolvida. Pedro Bial respondeu ao incrível Lucas Pasin e deixou claro que não pretende participar dessa conversa de retorno ao BBB, embora siga acompanhando o programa como os brasileiros acompanham, às vezes vendo, às vezes só vivendo de repercussão. Achei chique, porque ele falou como quem conhece o DNA da criatura, mas já entregou a guarda sem drama.

Bial disse que fica lisonjeado por ainda ser lembrado, o que por si só já aciona a ala nostálgica da internet com força total. Só que, no mesmo pacote, tratou de reconhecer que Tadeu Schmidt está plenamente apto para ocupar esse espaço e fazer o discurso nesse horário. Traduzindo da TV para a mesa do bar, agradeceu o carinho, ajeitou o smoking simbólico e devolveu a coroa para o atual dono da festa.

No bastidor digital, esse tipo de declaração sempre mexe com a memória afetiva do público. Basta citar Bial e metade da audiência já começa a recitar discurso de eliminação como se estivesse diante do espelho do quarto, pronta para uma recaída emocional em rede nacional. A outra metade compra a leitura de que o BBB mudou de fase, de ritmo e de anfitrião, e vida que segue com Tadeu segurando o rojão.
Eu, tomando um café apressado e espionando o feed na Piazza Corduscio, acho que Bial matou o assunto do jeito mais elegante possível. Continuou ligado no programa, agradeceu a lembrança e evitou transformar nostalgia em novela requentada. Em televisão, isso vale ouro. Tem gente que sai do palco e ainda quer puxar o refletor pelo fio, ele preferiu só acenar.