Menu
Kátia Flávia
Kátia Flávia

Paulo Guedes de saia? Cotada para vice de Flávio Bolsonaro recusa apelido e vira meme pronto

Daniella Marques, conselheira econômica de Flávio Bolsonaro, disse que não gosta do rótulo dado nos bastidores da campanha e afirmou: “Eu sou eu, sou Dani”

Kátia Flávia

12/07/2026 8h33

whatsapp image 2026 07 12 at 08.24.09

Daniella Marques rejeitou o apelido de “Paulo Guedes de saia” em entrevista ao O Globo.

Daniella Marques, cotada para vice de Flávio Bolsonaro e responsável por coordenar a agenda econômica do senador, rejeitou o apelido de “Paulo Guedes de saia” em entrevista ao O Globo. Ex-auxiliar do antigo ministro da Economia, ela disse que seus talentos são “complementares” aos dele, mas fez questão de marcar território.

Acordei no Cosme Velho com aquele domingo parcialmente ensolarado, 22 graus, vento batendo na janela e uma coragem moderada de existir. Abri as janelas, botei o café para passar, preparei um suco de melancia bem gelado e, antes mesmo de adoçar a vida, aparece essa pérola: “Paulo Guedes de saia”. Eu quase engasguei com a primeira golada, porque tem apelido que já nasce com cara de reunião de marketing que deu errado.
A frase veio quando Daniella foi questionada sobre o rótulo que circula nos bastidores da pré-campanha. “Não, não gosto”, respondeu. Em seguida, completou: “Eu sou eu, sou Dani. Os meus talentos são complementares aos dele”.

whatsapp image 2026 07 12 at 08.24.10
Cotada para vice de Flávio Bolsonaro, Daniella coordena a agenda econômica do senador.

Olha, “eu sou Dani” é uma frase simples, mas tem energia de quem chega numa roda política e fala: “meu amor, eu não sou extensão de paletó masculino nenhum”. E eu entendo. Porque chamar mulher técnica de “fulano de saia” é aquele velho vício brasileiro de precisar de um homem como legenda até quando a mulher está dando a entrevista sozinha.

Daniella elogiou Paulo Guedes, chamou o ex-ministro de “economista visionário” e disse que teve uma vocação complementar à dele. Segundo ela, seu papel hoje é mais de execução do que de formulação. Ou seja: ela não rompeu com o guedismo, só recusou virar fantasia de carnaval fiscal.

Na entrevista, a conselheira econômica também defendeu o legado do governo Bolsonaro e criticou Lula. “Agora, o Lula está gastando como se estivesse enfrentando uma pandemia para tentar se reeleger. É dramático”, afirmou. Pronto, botou drama na planilha e abriu a temporada de Excel com veneno.
A conversa ainda passou pela proposta fiscal de Flávio Bolsonaro. Daniella disse que o arcabouço fiscal virou “uma peça de ficção” e defendeu uma instância de governança para envolver outros Poderes no debate orçamentário. Também falou em redução de gastos na ordem de 1,5% do PIB para retomar a confiança.

whatsapp image 2026 07 12 at 08.24.10 (1)
Ex-auxiliar de Paulo Guedes disse que seus talentos são complementares aos do antigo ministro.

Eu, do lado de cá, só imaginava a cena: domingo de manhã, família brasileira tentando decidir se come pão francês ou tapioca, e a turma da pré-campanha discutindo corresponsabilidade fiscal, ativos da União e “Paulo Guedes de saia”. É muita palavra grande antes do almoço, gente. Nem meu suco de melancia estava preparado para tanto ajuste.

Daniella ainda disse que não está preocupada com cargo e que cabe a Flávio decidir se ela será vice. Sobre a crise entre Michelle Bolsonaro e o senador, afirmou que a “página está virada” segundo pesquisas. Aí eu já levantei a sobrancelha, porque em política página virada às vezes é só post-it grudado escondendo o capítulo mais venenoso.

No fim, a entrevista entregou o que a fofoca política mais gosta: uma possível vice tentando se vender como nome técnico, uma campanha tentando organizar discurso econômico, uma crise familiar sendo tratada como passado e um apelido tão torto que virou manchete sozinho. “Paulo Guedes de saia” ela não quer ser. Mas “Dani” já entrou no domingo fazendo barulho.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado