Eu adoro novela que entrega amor, aliança e ameaça no mesmo pacote, porque aí o entretenimento trabalha com carteira assinada. Em Três Graças, Paulinho leva Gerluce para um restaurante sofisticado, abre o coração e decide oficializar a paixão em pleno momento turbulento. Ela se emociona, entra na vibração do romance e compra a ideia de enfrentar os problemas ao lado dele, naquela energia de casal que ainda acredita no amor mesmo com a desgraça rondando a mesa.

A lista completa da cena vem arrumadinha, porque babado bom precisa de inventário. Paulinho convida Gerluce para jantar, diz que quer passar a vida inteira ao lado dela, cria um suspense básico de galã aplicado e tira do bolso uma caixinha com alianças. Gerluce se surpreende, se emociona e aceita o pedido sem desconfiar que, enquanto sonha com casamento, já está na mira do inimigo.

Do outro lado desse jantar romântico que tinha tudo para virar foto de porta-retrato, entra o veneno da novela. Vicente aparece escondido, armado, observando o casal para cumprir a ordem de Ferette. Ou seja, a lista da desgraça também está servida sem miséria: ordem de execução, arma em punho, espionagem no restaurante e o casal completamente alheio ao perigo.