A pastora Renata Vieira, pré-candidata a deputada estadual pelo PL em Minas Gerais, foi filmada agredindo um entregador de móveis em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte. Nas imagens que circulam nas redes, ela aparece dando tapas no rosto do profissional, xingando e, em outro momento, atacando o homem com pedras.
Eu ainda estava no café da manhã da pousada, tentando convencer a mim mesma que domingo de final de Copa permite pão de queijo em regime de repetição, quando esse vídeo chegou no celular. Dei play e quase engasguei com o suco, porque a cena é daquelas que começam como entrega de sofá e terminam parecendo reunião de condomínio possuída por palanque eleitoral.
Renata tem mais de 1,1 milhão de seguidores nas redes sociais e afirmou que a confusão teria começado porque o entregador descobriu que ela é pré-candidata pelo PL e bolsonarista. Segundo a versão dela, o homem teria se recusado a entregar os móveis, tentado voltar com os itens para a loja e a agredido com chutes, socos, beliscões e “bicudos”.
A versão do entregador, porém, é outra. Segundo relato de um morador ao Metrópoles, o profissional teria dito que não conseguiria entregar o sofá sozinho e precisaria de outro funcionário para ajudá-lo no serviço. A pastora não teria aceitado a situação, e a discussão escalou até virar agressão.
Nos vídeos, Renata aparece partindo para cima do entregador, dando tapas e tentando segurá-lo. Em outro trecho, ela corre atrás do profissional e tenta derrubá-lo. Nesse momento, afirma que teria sido agredida e pergunta: “Você não me bateu?”. O entregador responde pedindo para que ela o solte.

Depois da confusão, Renata publicou um vídeo recebendo atendimento médico e mostrou hematomas nos braços e nas pernas. Ela disse estar “bem machucada” e sugeriu que o entregador poderia ter sido enviado por “esquerdistas doentes”. Em nota, a pré-candidata afirmou ter sofrido ofensas e insinuações de cunho político e disse considerar inaceitável qualquer forma de hostilidade motivada por posicionamento político.
E eu vou falar uma coisa: quando alguém transforma entrega de móvel em tese de perseguição ideológica, a gente precisa respirar fundo e olhar para o vídeo. Política no Brasil já está surtada o bastante sem precisar colocar sofá, pedra e entregador no mesmo pacote narrativo. Às vezes a confusão pode ser só o que parece: uma entrega mal resolvida, uma discussão que saiu do controle e uma pré-candidata agindo de um jeito que vai ter que explicar muito bem.

Segundo o comunicado divulgado por Renata, a polícia foi acionada, boletim de ocorrência foi registrado, ela recebeu atendimento médico e passou por exame de corpo de delito no IML. O caso agora deve ser apurado pelas autoridades.
A cena é péssima para todo mundo: para o entregador, que aparece tentando se desvencilhar; para a pastora, que virou assunto por agressão antes mesmo de virar candidata oficial; e para a política, que já anda tão inflamada que agora até entrega de sofá corre o risco de virar guerra cultural.