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Kátia Flávia
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Papel de esgoto derrubou Deolane Bezerra: ela era dona da empresa do PCC

Em entrevista exclusiva à repórter Mônica Apor, do Portal Leo Dias, o secretário de Segurança Pública de SP, delegado Nico Gonçalves, revelou que a transportadora usada para lavar dinheiro do PCC era registrada no nome de Deolane Bezerra. E a coluna aqui registra: nem Sherlock Holmes pensaria em pescar prova dentro de um esgoto.

Brenno

22/05/2026 11h20

Deolane Bezerra viveu mais um capítulo explosivo da própria trajetória pública

Deolane Bezerra viveu mais um capítulo explosivo da própria trajetória pública

Eu estava aqui no Cosme Velho quando a Mônica me mandou os detalhes que o delegado Nico abriu com exclusividade, e precisei sentar. A investigação começou em 2019 e só decolou quando peritos encontraram um documento parcialmente destruído dentro de um esgoto. A equipe não jogou fora: ressuscitou o papel, secou, refez, e o que saiu dali era o elo que faltava para chegar à transportadora de cargas em Presidente Venceslau, no interior paulista. Essa empresa não era apenas um canal pelo qual o dinheiro do PCC chegava a Deolane. Ela era a dona.

Dali em diante, a investigação foi abrindo uma teia de empresas-fantasma com endereços fictícios, várias delas registradas num mesmo ponto, clássico de esquema de ocultação patrimonial. Segundo o delegado Nico, os depósitos eram fracionados abaixo de R$ 10 mil para escapar do radar bancário, e a operação chegou a bloquear valores expressivos em bens, carros de luxo e imóveis.

A Operação Vérnix, terceira etapa de um trabalho que já soma mais de 250 ações conjuntas entre a Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo, cumpriu seis mandados de prisão preventiva, incluindo o irmão e sobrinhos de Marcola, além de Everton de Souza, o “Player”, operador financeiro do esquema. Dois alvos seguem em difusão vermelha da Interpol.

O detalhe que a imprensa não explorou direito foi a coordenação cirúrgica em torno de Roma. Deolane estava na Itália quando a operação foi planejada. A deflagração era às 6h no Brasil, 11h no horário italiano, e a polícia manteve sigilo absoluto até o momento exato para garantir a prisão simultânea de todos os alvos em solo nacional. Ela voltou na véspera sem saber do que vinha pela manhã.

O delegado Nico Gonçalves foi categórico com Mônica Apor: as provas são robustas demais para que um habeas corpus passe fácil no curto prazo. Sobre o clima geral, soltou a frase que resume a filosofia do trabalho: “O crime organizado aqui não tem líder, não tem nada, estão fora do país, nós vamos buscar.”

A irmã Daniele Bezerra correu para as redes com nota falando em perseguição e “manchetes como condenação”, e o X dividiu opiniões entre quem grita armação e quem lembra que essa já é a segunda prisão em menos de um ano, a primeira pela Operação Integration, em Pernambuco.

A coluna anota que documento pescado de esgoto, sete anos de investigação e promotor que vive sob ameaça de morte do PCC não costumam ser ingredientes de perseguição fácil de explicar.

Documento encontrado no esgoto, empresas-fantasma, operação internacional e prisão preventiva: os bastidores da investigação contra Deolane Bezerra ganharam novos detalhes após entrevista exclusiva do delegado Nico Gonçalves. – Reprodução Instagram

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