Eu tava em Ibiza, escova, batom, brinco grande, treinando o sorriso pra festa de hoje, quando o celular vibrou três vezes. Paolla Oliveira contando pro Fantástico que toda semana fala com advogado. Isso é rotina de departamento jurídico, não de atriz global em cartaz.
O motivo é feio. Fotos e vídeos que a Paolla nunca gravou circulam com o rosto dela em corpo de outra mulher. O NetLab, da UFRJ, contou: 198 anúncios com a imagem da atriz em plataformas da Meta em três meses, quase todo dia um novo no ar.

Desses, 191 levavam para o Telegram. E lá, detalhe que a Kátia adora, quem atendia o interessado não era gente. Era um robô simulando ser a própria Paolla para vender pornografia falsa. A atriz recebeu um desses vídeos em plena gravação: “Eu gelei, fiquei branca, minha perna amoleceu”.
Pra quem já passou por isso, vai o que interessa. O advogado Alexander Coelho, do Godke Advogados, explica que o Brasil não tem lei específica sobre deepfake, mas já dá para acionar violação de direitos da personalidade, dano moral, estelionato, extorsão, stalking, Marco Civil da Internet e LGPD. A responsabilidade se estende a quem divulga, anuncia ou lucra com o material, não só a quem cria. E a orientação é guardar prova antes de correr para a remoção, porque apagar sem provar dificulta achar quem está por trás da cadeia toda.

Divulgação/M2 Comunicação
O Telegram, procurado, disse que proíbe conteúdo íntimo não consensual e colabora com investigações repassando telefone e IP dos criminosos. Bonito no papel. O robô com o rosto da Paolla ficou de plantão praticamente todos os dias durante os três meses de monitoramento. Vou terminar a maquiagem, mas essa história eu sigo de perto.