Eu estava no Cosme Velho acompanhando esse Brasil de 1º de setembro de 2026, que resolveu entregar assunto antes mesmo de eu terminar o café, quando chegou o ranking da TV paga das 13h37. Parei. Voltei. Li outra vez. Pânico, 0,41. Estúdio i, da GloboNews, 0,40. Uma diferença mínima, mas suficiente para colocar a Jovem Pan News na liderança entre os canais jornalísticos naquele recorte.
O ranking informado ficou assim: Jovem Pan News, com Pânico, 0,41; GloboNews, com Estúdio i, 0,40; CNN Brasil, com Bastidores CNN, 0,16; Record News, com Conexão Record News, 0,05; BandNews TV, com Papo Reto, 0,04; e Canal UOL, com Pulso Político, 0,00.

É importante fazer a conta jornalística direito: estamos falando de um retrato pontual das 13h37 no PNT, e não da média consolidada dos programas ou do dia.
E justamente por ser um retrato daquele minuto, ele chama atenção. Pânico e GloboNews estavam praticamente empatados no topo, enquanto a CNN Brasil aparecia a uma distância considerável. Em audiência, um centésimo resolve a fotografia. E naquela fotografia quem estava na frente era Emílio Surita.
A convidada desta terça-feira era Daniella Marques, economista e ex-presidente da Caixa, hoje ligada à formulação econômica da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro. Ela também esteve nesta terça no Fórum Empresarial do Lide, em São Paulo, onde fez críticas à situação fiscal das estatais e voltou a defender uma agenda de redução de gastos.
Ou seja, o Pânico entrou numa terça-feira em que política e economia estavam servidas à mesa sem precisar chamar o garçom. E aí existe um ativo que qualquer executivo de televisão deveria observar: a capacidade do programa de transformar personagem do noticiário político em entrevista de televisão com apelo para além do público tradicional de hard news.
E chegamos a Emílio Surita. Meu amor, isso aqui é quase uma ação blue chip do entretenimento brasileiro. O Pânico nasceu no rádio em 1993, sob seu comando, e a versão televisiva estreou na RedeTV! em setembro de 2003. Depois passou pela Band e, anos mais tarde, voltou ao ecossistema da Jovem Pan com sua versão em vídeo.
Portanto, estamos falando de uma marca com mais de três décadas de existência no rádio e mais de duas décadas de história na televisão.

E talvez esteja aí o dado mais interessante desse 0,41. O Pânico atravessou RedeTV!, Band, internet, rádio, mudanças de elenco, transformações no humor e uma revolução inteira no consumo de vídeo. Em 2003, disputava o domingo da televisão aberta. Em 2026, aparece às 13h37 liderando um recorte da TV paga justamente contra canais estruturados integralmente para notícia.
Eu fechei o computador no Cosme Velho com uma conclusão bastante simples: marca forte envelhece; marca que continua produzindo audiência vira patrimônio. Aos 33 anos de Pânico, Emílio Surita ainda consegue fazer a concorrência olhar para o relógio. E hoje, às 13h37, ela teve um excelente motivo para olhar.