A resposta de Dario Durigan a Javier Milei gerou uma confusão que foi da política internacional ao estúdio da GloboNews. Depois de o presidente argentino atacar Lula e Alexandre de Moraes durante a convenção do PL em São Paulo, o ministro da Fazenda chamou Milei de “palhaço” e rebateu as críticas à economia brasileira.
Eu estava com as mãos dentro da cabine de secagem, esperando o extra brilho do vermelho cereja escuro virar assunto encerrado, quando vi os trechos da GloboNews. Minha filha, uma crise diplomática já vem com tensão suficiente; colocar “palhaço”, “palhaçada” e “casca de banana” na mesma conversa é praticamente convocar um especial de fim de ano da política brasileira.

Durigan reagiu à fala de Milei apontando a situação econômica argentina. “O palhaço do presidente da Argentina falou do Brasil quando o risco-país da Argentina é muito mais alto, a dívida pública é muito mais alta, a inflação é muito mais alta”, afirmou em entrevista à Rádio Jornal. O ministro ainda citou desemprego e inflação em baixa no Brasil.
Na GloboNews, porém, o alvo do debate deixou de ser Milei e passou a ser Durigan. Octavio Guedes classificou a atitude como “palhaçada” e disse que o ministro não poderia colocar um “projeto de poder pessoal” à frente de uma crise diplomática. “É um ministro da Fazenda com uma postura inconveniente, não está à altura do cargo e da responsabilidade que ele exerce”, afirmou.
Mônica Waldvogel apontou “falta de autocontenção” e questionou se Durigan estaria usando o embate para se fortalecer politicamente dentro do governo. Marcelo Lins entrou na conversa dizendo que o ministro “se deixou levar por uma atitude do presidente da Argentina e escorregou na casca de banana”.
Aí veio Merval Pereira com a camada de bastidor: para ele, Durigan teria elevado o tom para agradar Lula e se apresentar como nome político. “Claramente o Durigan quis agradar o presidente e aí misturou as questões técnicas com as políticas”, disse o comentarista, puxando para a roda especulações sobre a corrida eleitoral paulista.

A GloboNews concentrou as críticas na escolha de palavras e no cálculo político atribuído a Durigan. A discussão ficou clara: para uns, chamar Milei de palhaço foi uma resposta proporcional; para outros, foi um ministro da Fazenda entrando numa briga que deveria ser resolvida pela diplomacia.
Tirei as mãos da cabine, conferi o brilho do esmalte e guardei o comprovante da prova de roupas de Icaraí dentro da tote preta. A motorista já me espera na porta, e eu vou atravessar a baía pensando que, nesta treta, até a palavra “palhaço” ganhou mesa-redonda, análise de bastidor e direito a réplica.