Amigas, cena real de domingo no Cosme Velho. Eu aqui, com as minhas íntimas, cabelo ainda quente do babyliss, barriga roncando porque domingo a gente almoça mais tarde, quando chega no meu celular um vídeo que quase me faz largar o batom.
Um padre. Nervoso. Mas nervoso num nível Papa Bento XVI quando perdia a paciência com o mundo moderno. Voz alterada, dedo em riste e uma pregação pesada, daquelas que fazem a mesa do almoço esfriar.
O alvo? Minha íntima, minha amiga, minha querida Daniela Lima, lá do UOL, que eu amo.
O padre dá uma senhora lição de moral, fala em inferno, em desumanidade, em queda moral, num tom quase apocalíptico, como se estivesse anunciando o fim dos tempos direto da sacristia. Drama puro. Um sermão digno de missa de Cinzas, só que em vídeo viral.
Não foi crítica política. Foi choque moral. O padre resolveu dizer em voz alta o que muita gente sussurra com vergonha. O sacerdote José Eduardo de Oliveira e Silva detonou o que classificou como deboche da jornalista Daniela Lima diante do acidente sofrido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo o padre, a reação debochada não teve nada a ver com jornalismo, ironia fina ou análise crítica. Foi puro desprezo humano motivado exclusivamente por posição política. E aí, na visão dele, a coisa atravessa qualquer limite moral aceitável.
O tom não foi suave. Foi duro, incômodo e direto. Para o sacerdote, quem se alegra publicamente com a desgraça alheia, ainda mais envolvendo um idoso com histórico de saúde delicado, não está fazendo crítica. Está revelando algo muito mais feio. Daí a frase que ecoou pesado: esse tipo de atitude é coisa de “filhos do inferno”.
E não parou aí. O padre apontou o silêncio ensurdecedor de quem vive acusando adversários de discurso de ódio, mas some quando o ódio vem do próprio campo ideológico. Para ele, isso não é distração. É cumplicidade.
A crítica também mirou os cristãos de palco, aqueles que falam o tempo todo de amor, inclusão e acolhimento, mas praticam misericórdia seletiva. Segundo o sacerdote, caridade com filtro político não é caridade. Misericórdia que escolhe alvo é hipocrisia.
O recado final foi um catecismo, o cristão não vibra com a dor de ninguém. Não ri da queda. Não debocha da fragilidade humana. Quem faz isso pode até frequentar igreja, mas escolheu perder a própria humanidade no caminho.