Estava sentada num banco de pedra no centro histórico de Bari quando o telefone tocou. Eram pouco mais das cinco da tarde aqui na Puglia, e do outro lado da linha chegou uma notícia que deixou o ar mais pesado do que o calor deste abril no sul da Itália. Oscar Schmidt foi embora.
Aos 68 anos, o maior cestinha da história do esporte brasileiro morreu nesta sexta-feira em São Paulo. Ele havia sido encaminhado ao Hospital e Maternidade Municipal Santa Ana depois de sentir mal-estar, e não resistiu. A morte foi confirmada pela assessoria de imprensa do ex-atleta. A causa oficial ainda não foi divulgada, mas Oscar convivia com um tumor cerebral diagnosticado em 2011. Em 2022, ele próprio decidiu encerrar as sessões de quimioterapia.
Nas redes sociais, o luto tomou conta em questão de minutos. Atletas, jornalistas e torcedores do Brasil inteiro e do exterior passaram a prestar homenagens num volume que raramente se vê. O nome de Oscar Schmidt foi parar rapidamente nos trending topics, e a imagem dele com a camisa da seleção brasileira circulou por todos os cantos da internet como um símbolo que dispensa legenda



Oscar Schmidt era o segundo maior pontuador da história do basquete mundial, com 49.703 pontos em 25 temporadas como profissional. Também detém o recorde de maior pontuador da história dos Jogos Olímpicos, com 1.093 pontos em cinco edições consecutivas. Em Seul 1988, anotou 55 pontos contra a Espanha numa única partida, marca que permanece intocada até hoje. Em 1987, liderou o Brasil à vitória de 120 a 115 sobre os Estados Unidos nos Jogos Pan-Americanos de Indianápolis, episódio que entrou para a história como a primeira derrota americana em casa naquela competição. Pela seleção brasileira, foram 7.693 pontos em 326 partidas oficiais entre 1977 e 1996.
Nascido em Natal, o homem que ficou conhecido como Mão Santa nunca jogou na NBA, e isso jamais diminuiu uma linha sequer da sua grandeza. Pelo contrário, a escolha de ficar no Brasil e na Europa virou ela mesma uma espécie de manifesto de quem não precisava de palco americano para ser eterno. Hoje, com o silêncio que só uma morte verdadeira provoca, fica mais claro do que nunca que Oscar Schmidt não era apenas um jogador de basquete. Era a prova de que o Brasil, quando deixa um gênio crescer sem aparar as asas, produz algo que o mundo inteiro para para ver.