O Baile da Vogue 2026 provou, mais uma vez, aquilo que a gente já sabe, mas insiste em fingir surpresa: dinheiro compra brilho, não compra ideia. Entre vestidos com cara de publi parcelada em doze vezes e fantasias que morreram ainda no briefing do stylist, um grupo seleto fez o que essa festa promete há anos e raramente entrega. Transformar o Copacabana Palace numa extensão do Sambódromo, com pose de editorial, ousadia de carro alegórico e nenhuma vergonha de ser exagerado. Como deve ser.
Neste ranking, já aviso, não entra look preguiçoso. Não entra “fui com o que a marca mandou”. Muito menos vestido bonito de casamento que se perdeu no Carnaval. Aqui só passam as fantasias que entenderam que Carnavália não é convite para abadá de luxo. É licença poética para ser escultura, quadro, personagem e meme em alta resolução ao mesmo tempo. Se não entendeu isso, ficou para trás.
Os 10 looks que salvaram a noite
Deborah Secco – A alegoria que fugiu do carro
Isso aqui, meus amores, não é look. É carro alegórico que perdeu o rumo do Sambódromo e estacionou no Copacabana Palace sem pedir desculpa. Pregas gigantes, clima de cenário teatral e excesso dramático assumido, porque Deborah não faz nada pela metade. Ela vira instalação de Carnaval contemporâneo, meio escultura, meio flor, meio pluma. O risco existe, claro. No meio de tanto volume, ela quase some. É mais conceito de ateliê do que roupa pensada para fotos em 360 graus. Mas coragem também é styling, e disso ela tem de sobra.

Thaynara OG – Escola de samba em versão coluna
Aqui a fantasia conversa com a tradição da passista rica, mas passada pelo filtro do tapete vermelho, aquele que tira o excesso e deixa só o impacto certo. Vestido coluna, listras de brilho, estrelas aplicadas e mangas esvoaçantes constroem uma musa de enredo elegante. Funciona porque alonga, afina e conta história sem engolir a pessoa. Você vê a Thay primeiro, a fantasia depois. O cuidado está no styling limpo, cabelo, maquiagem, tudo no lugar, segurando a fronteira entre glamour retrô e revista de Carnaval dos anos 90. Um passo em falso e virava outra coisa.

Isabeli Fontana – Showgirl noir minimalista
Clássico caso de top model que sabe usar o próprio corpo como suporte de fantasia. Vestido tubo de brilho escuro, gola alta, recorte preciso e uma cabeleira de plumas que resolve o Carnaval sozinha, sem esforço aparente. A elegância está no contraste, e isso Isabeli domina como poucas. Silhueta limpa embaixo, exagero concentrado na cabeça e nos acessórios. É fantasia de quem quer dançar, beber, atravessar a noite inteira e ainda sair linda em todas as fotos. Zero erro. Zero surpresa. E, às vezes, tudo bem.

Giullia Buscacio – Fênix dourada do camarote
Toda trabalhada no dourado, nos raios de sol e nas pontas que sobem como se anunciassem um abre-alas celestial. A fenda frontal e o busto aberto trazem sensualidade e impedem o look de virar alegoria estática. A armação lateral impõe respeito, aviso logo. Se virar rápido, leva alguém da fila junto. Flerta perigosamente com o território Carnaval de marca de espumante, mas se mantém firme no espetáculo. E isso, no Baile da Vogue, já é vitória.

Halessia – Nudez de efeito especial
Aqui o Baile vira palco, e ninguém pediu licença. Quase só corpo, preso por tiras azuis, plumas laterais e um cabelo que vira figurino junto. Diva futurista misturada com passista cyberpunk, tudo ao mesmo tempo agora. Funciona porque assume o exagero sem pedir desculpa, sem explicar conceito, sem legenda longa. A linha do vulgar existe, claro que existe, mas ela atravessa com segurança. É daqueles looks impossíveis de ignorar. Ame ou odeie, você viu.

Virgínia – Influencer que caiu na serpentina
A base do vestido funciona, sim. Decote alonga, corpo ajustado, brilho suficiente para segurar o tapete vermelho sem passar vergonha. O problema mora na barra, que parece ter mergulhado num tanque de serpentinas metalizadas multicoloridas. É divertido, rende vídeo, faz sucesso no stories, mas pesa o visual. O olhar todo cai para baixo. Fica mais fantasia patrocinada por loja de Carnaval do que ícone de Baile da Vogue. Falta aquele passo além.

Nah Cardoso – A Carmen Miranda da era Reels
Uma fanfic tropicalista em versão filtro de Instagram, e isso é um elogio. Top e saia verdes, babados glitterizados em roxo e dourado, formando uma fruteira psicodélica ambulante. A fantasia é pensada para imagem parada e para vídeo, e isso é inteligência de era digital. Sentada, com pernas em evidência, plataforma dourada gigante e turbante de babados, vira pôster instantâneo de feed. É exagero assumido, tropicalismo over, mas com construção inteligente de corpo. Nada aqui é tímido. Ingênuo, menos ainda.

Camila Pudim – Marquesa do Sambódromo
Rosa pálido quase porcelana, aplicações azuis e laranjas e uma estrutura que trabalha o drama com método. Gola em leque, sobressaia armada revelando as pernas e cauda fluida que transforma o cenário inteiro em extensão do vestido. A pose no ambiente clássico fecha a narrativa. Realeza francesa encontra debutante de Carnaval, com acabamento de fantasia de luxo. Poderia escorregar fácil para figurino infantil. Não escorrega, porque a construção sabe exatamente onde colocar o corpo.

Adam Mitch – Arlequim de alta-costura inflável
Arlequim cruzado com algodão-doce radioativo, porque por que não. Volumes lilás de poá, almofadados até o chão, deixando só um rasgo de perna para lembrar que existe um corpo ali dentro. Cabeça escultórica, plumas em degradê neon e sombrinha combinando. É exagerado, impraticável e absolutamente fotogênico. Não passa na porta, não senta, não abraça. Mas entra direto para a memória do Baile. E isso é tudo.

Amanda Paggi – Anjo de strass em velocidade 5G
Macacão cravejado de pedraria, transparência calculada e recortes que desenham o corpo como se fosse uma rede de cristal. As asas metálicas explodem em reflexos a cada flash, cada ângulo entrega uma leitura diferente. O efeito é holográfico, quase transmissão do futuro. Não foi feito para a vida real, nem tenta. Foi feito para palco, foto e vídeo. No Baile da Vogue, vamos ser honestos, é exatamente isso que importa.
