Amores ,estou enlouquecida; orquestra ao vivo, gratuita, com jovens músicos no centro do evento.
A Orquestra Petrobras Sinfônica chega à sexta edição do Festival Música que Transforma com três dias de programação gratuita na Fundição Progresso, no Centro do Rio de Janeiro, entre os dias 24 e 26 de abril. A proposta vai muito além de concerto: o festival reúne oficinas, minicursos, masterclasses e mesas-redondas pensados tanto para jovens músicos quanto para profissionais da área, com foco no intercâmbio de conhecimento e na música como ferramenta de transformação social.
A programação abre na sexta, dia 24, às 14h, com apresentação do Sweet Jazz, seguida de mesa-redonda sobre orquestras juvenis com representantes do COSIJ e da Academia de Música da Osesp. No sábado, 25, o destaque são as masterclasses e minicursos, incluindo arranjo para orquestra e câmara com Ricardo Candido, acústica com Leo Fuks da UFRJ e Música de Câmara com Elione Medeiros. No domingo, 26, mesa-redonda sobre carreira musical com músicos da própria Petrobras Sinfônica e encerramento com a Orquestra de Câmara da Fiocruz, Camerata Laranjeiras e Academia Juvenil.
A Academia Juvenil da orquestra, criada em 2012, oferece formação gratuita para jovens de 15 a 20 anos oriundos de projetos sociais, tem 34 alunos ativos e taxa de aprovação de 98,5% nos testes de habilidade específica das universidades de música.
Nos bastidores digitais, o Festival Música que Transforma tem uma audiência fiel e especializada que não precisa de algoritmo para aparecer: professores de música, estudantes de conservatório, pais de jovens em projetos sociais musicais e profissionais da área circulam os conteúdos com aquele engajamento de comunidade que nenhuma campanha paga replica. A Fundição Progresso como sede também ajuda: é um dos espaços culturais mais queridos do Rio e traz um público que frequenta o lugar independentemente da programação específica.
O que me chama atenção nesse projeto é a consistência de 14 anos de Academia Juvenil com 98,5% de aprovação nos testes universitários. Isso não é dado de release para inflar nota de imprensa. É resultado concreto de formação musical séria, gratuita, voltada para jovens que vieram de projetos sociais e que chegaram à orquestra pelo talento. A Petrobras Sinfônica também tem o detalhe de ser a única orquestra do país gerida pelos próprios músicos, o que é um modelo de gestão tão incomum que merecia ser estudado em escola de administração.
Eu vivo rodeada de orquestras aqui no sul da Itália, frequento a Scala quando posso e já chorei em três concertos diferentes por razões que não vou detalhar publicamente. Mas um festival gratuito que forma jovens músicos de projetos sociais com taxa de aprovação de 98,5% me emociona de um jeito diferente. Esse tipo de número não precisa de palco dourado para impressionar.