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Kátia Flávia
Kátia Flávia

O passaporte que não deixa o Brasil dormir: a família de Eliza Samudio fala, e o silêncio pesa ainda mais

Quinze anos depois do crime, um documento reaparece em Portugal, reacende perguntas sem resposta e expõe o que ainda falta ser dito.

Kátia Flávia

06/01/2026 8h37

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A mãe de Eliza Samudio também disse que a notícia sobre o encontro do passaporte da filha em Portugal tem lacunas. Foto: reprodução/Leo Dias TV

Amadas, isso aqui não é só atualização de caso. É um choque em câmera lenta.

O passaporte atribuído a Eliza Samudio, encontrado em um apartamento em Portugal, ganhou um novo capítulo. Agora, quem se pronuncia é o irmão dela, Arlie Moura. E o que ele diz importa. Muito.

Arlie afirma acreditar que o documento seja verdadeiro. Os dados batem, nome completo, filiação, data de nascimento. Tudo compatível. Mas ele é cauteloso. Diz que ainda não dá para bater o martelo. Falta a confirmação oficial das autoridades. E, nesse caso, prudência não é frieza, é sobrevivência emocional.

O passaporte foi noticiado inicialmente pelo Portal Leo Dias e passou a ser tratado como fato após a confirmação do Consulado do Brasil em Portugal de que o documento foi entregue e comunicado às autoridades brasileiras. O Itamaraty foi informado. Agora, o Estado analisa. O tempo, de novo, estica.

Segundo o relato, o documento estava entre livros, em um imóvel alugado. Não estava escondido em cofre, nem guardado como relíquia. Estava lá, esquecido ou deixado, como se o passado tivesse sido empurrado para uma estante qualquer.

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O passaporte de Eliza Samudio, morta pelo goleiro Bruno que jogava no Flamengo. Foto: reprodução/Leo Dias TV

O passaporte registra entrada em Portugal em 2007. Não há registro de saída. Anos depois, Eliza estava de volta ao Brasil. Como voltou, ninguém sabe com certeza. Uma das hipóteses é perda do documento e retorno com autorização especial. Hipótese não é resposta. E o caso de Eliza vive desse vazio.

Arlie conta que soube de tudo pela imprensa. Diz que não fala com a mãe. E essa frase, curta e seca, diz mais do que qualquer parágrafo longo. Mostra como esse crime não destruiu só uma vida, destruiu laços, tempos, silêncios.

A CNN Brasil informou que aguarda retorno do Itamaraty e do consulado. O jornalismo faz o que pode. O Estado faz no ritmo dele. A família espera, como espera há 15 anos.

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Em entrevista a O TEMPO, o irmão de Eliza, Arlie Moura, de 27 anos, afirmou que o passaporte é, de fato, da irmã, que hoje teria 40 anos. Foto: reprodução/redes sociais

Nada disso muda o essencial. Eliza foi assassinada. O corpo nunca foi encontrado. O crime foi julgado, condenado, mas nunca encerrado. Porque não há encerramento possível quando a verdade chega sempre pela metade.

Esse passaporte não ressuscita Eliza. Não resolve o caso. Mas expõe algo duro, o Brasil ainda convive com a ideia de justiça incompleta. E enquanto documentos reaparecem, o que segue desaparecido é o direito ao fim digno de uma história que não deveria ter sido interrompida assim.

Essa notícia não pede curiosidade. Pede memória. Pede responsabilidade. E pede que ninguém trate esse caso como apenas mais um capítulo velho que voltou a circular. Porque, para a família, ele nunca saiu de cena.

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