O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta sexta-feira (9) ter recebido partes de um relatório da segurança da Corte com milhares de mensagens de ameaça de morte e agressões contra ele e outros ministros. Dino publicou alguns dos ataques e disse que eles não mudarão sua atuação profissional.
Eu ainda estava com o travesseiro da Piriquita na mão, no meio da Rua das Padeiras, quando li o tamanho da selvageria exposta. Não era gente reclamando de decisão judicial, não. Era perfil escrevendo que Dino seria o “primeiro a ser fuzilado”, numa mensagem que relacionava a ameaça à proibição de acesso a armas.
Em outra publicação, um usuário escreveu: “O gordola mal curtiu sua vida de neoditado e já vai levar chumbo”. Sim, minhas filhas, esse é o nível da turma que acha que ameaça de bala é argumento político. A mensagem apareceu entre os exemplos divulgados pelo ministro.

O relatório também reuniu ataques dirigidos a outros nomes do STF. Em uma das mensagens, um perfil escreveu: “Deixa o Xandão acabar. Gilmar Morais Dino Zanin Toffoli Gonet Andrey”. Em outra, a ameaça foi ainda mais brutal: “Invadir o STF e fazer com Moraes, Dino e Zanin igual fizeram com Tiradentes, cabecinha em praça pública”.
Dino afirmou que o ódio das mensagens nasce da “repetição de mentiras” para provocar violência. “Se um juiz passar a ter medo de decidir um processo, à vista do suposto risco de sofrer perseguições pessoais, não existe mais Poder Judiciário. Nem Constituição”, escreveu.

Eu parei ali mesmo, olhando a beleza de Sintra e pensando no contraste com essa lama digital. Discordar de ministro é direito de qualquer cidadão; recorrer de decisão também. Agora, desejar fuzilamento, invasão e morte de magistrado não é debate, não é crítica e muito menos democracia.
O ministro reforçou que quem não concorda com decisões judiciais deve procurar os colegiados competentes. “Não precisa matar o juiz que tomou a decisão, nem fazer discursos raivosos incitando perseguições e agressões”, declarou. Dino também disse que não pretende se intimidar: “Em nada alterarei a minha atuação profissional, pois nunca minha perna ou minha mão tremeram, nem minha voz se alterou”.
Eu digo uma coisa: essa gente faz barulho porque quer transformar medo em método político. Só que, quando juiz, jornalista, artista ou qualquer pessoa vira alvo de ameaça por trabalhar ou se posicionar, o problema já deixou de ser uma briga de internet faz tempo.