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Kátia Flávia
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O fracasso de R$ 1 bilhão que fez Christian Bale nunca perdoar diretor famoso

Ator revelou que deu um voto de confiança a McG em “O Exterminador do Futuro: A Salvação”, mas se arrependeu após o fracasso milionário e avisou que não pretende trabalhar com ele novamente

Kátia Flávia

01/08/2026 14h33

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Christian Bale afirmou que não pretende voltar a trabalhar com McG após “O Exterminador do Futuro: A Salvação”.

Christian Bale resolveu abrir o armário dos traumas cinematográficos e tirou de lá “O Exterminador do Futuro: A Salvação”, filme de 2009 que prometia inaugurar uma nova fase da franquia e acabou virando lembrança amarga. O ator revelou que se arrepende de ter confiado em McG, diretor do longa, e deixou claro que não pretende trabalhar com ele novamente.

Eu li essa história ainda no carro voltando de Ses Salines para o The Standard Ibiza Town, com a sacola de palha no banco ao lado, o cabelo duro de sal e a saída de praia branca amassada tentando parecer resort. Quando Christian Bale diz que deu voto de confiança e se arrependeu, eu presto atenção. Homem desse não dá entrevista, entrega sentença com sotaque de Oscar.

Em entrevista ao The Wall Street Journal, Bale contou que já tinha dúvidas desde o primeiro encontro com McG, nome artístico de Joseph McGinty Nichol. Segundo o ator, ele questionou se a filmografia do diretor era suficiente para comandar um capítulo tão importante da franquia criada por James Cameron.
Aí veio o apelo. “Todo mundo precisa evoluir, e eu quero fazer de O Exterminador do Futuro um novo capítulo da minha carreira. Por favor, me dê um voto de confiança”, teria dito McG, segundo Bale. E Christian acreditou. Pronto, minhas queridas: Hollywood também tem esse momento em que alguém promete maturidade artística e entrega reunião que deveria ter sido e-mail.

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O ator viveu John Connor no filme lançado em 2009.

O problema é que a aposta não pagou o glamour esperado. “O Exterminador do Futuro: A Salvação” custou cerca de 200 milhões de dólares e arrecadou 371 milhões no mundo todo, número tratado como decepcionante para uma produção que queria abrir uma nova trilogia. A trilogia, como sabemos, ficou no mesmo lugar onde muita promessa de diretor fica: no PowerPoint.

A crítica também não comprou o pacote. Na época, Jan Hamm definiu o longa como “um blockbuster sem carisma”, comandado por um diretor “sem visão própria”. Eu quase bati palma dentro do carro, porque existem críticas que não analisam filme, fazem autópsia com iluminação fria.

Bale também não parecia encantado com o roteiro desde o começo. De acordo com as notas, o ator já via problemas na história, nos arcos dos personagens e no espaço dado a John Connor, papel que ele interpretou. Para um ator conhecido por mergulhos intensos e transformações radicais, cair num blockbuster sem alma deve ter sido tipo chegar vestido de gala num churrasco de firma.

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McG teria pedido a Bale um “voto de confiança” para comandar a franquia.

E tem mais: o filme acabou sendo lembrado menos pela ficção científica e mais pelo famoso áudio vazado em que Bale perde a paciência com um integrante da equipe durante as filmagens. Ou seja, o bastidor virou mais memorável que o apocalipse das máquinas. Quando o surto de set rende mais que a cena de ação, alguém errou feio no comando da nave.
McG vinha de “As Panteras” e “As Panteras: Detonando”, além do drama esportivo “Somos Marshall”, que fracassou comercialmente. Para Bale, o currículo enxuto ajudava a explicar a desconfiança inicial. Ainda assim, ele topou entrar no projeto, acreditando que o diretor poderia transformar aquele filme em salto de carreira.

Anos depois, o arrependimento veio com educação britânica e veneno suficiente para matar uma franquia inteira. “Há espaço para diferentes abordagens e diferentes personalidades na indústria cinematográfica”, disse Bale. Bonito, fino, diplomático. Mas o corte veio logo em seguida: “Não voltarei a trabalhar com ele, mas desejo tudo de bom para sua carreira”.

Tradução simultânea da minha bolsa de praia: desejo luz, paz, sucesso e distância. É o tipo de frase que parece cartão de despedida, mas na verdade é bloqueio profissional com papel timbrado.
O carro encostou perto do The Standard e eu ainda estava pensando nisso. Hollywood vende sonho, mas às vezes entrega trauma em IMAX. E Christian Bale, pelo visto, não esqueceu quem prometeu um novo capítulo e deixou ele preso numa continuação que nem as máquinas conseguiram salvar.

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