Brasil, segura essa porque eu fiquei com vontade de jogar uma bolsa Birkin na parede de tanta emoção. Diabo Veste Prada 2 resolveu olhar para o caos do mundo real e usar isso como arma narrativa, colocando Miranda Priestly diante do maior pesadelo da carreira, uma revista impressa tentando sobreviver enquanto o dinheiro foge para o digital e a moda vira refém de algoritmo e scroll infinito.
Passaram-se 20 anos desde aquele primeiro olhar assassino por cima dos óculos, e Miranda continua no comando da Runway, só que agora cercada de alertas vermelhos. Publicidade minguando, audiência jovem que não sabe o que é fechar uma revista e um mercado que prefere viral a curadoria. O trailer deixa claro que ela sente o golpe e reage do único jeito possível, endurecendo, calculando e afiando as garras com a mesma frieza que a transformou em lenda.

E aí entra Emily Charlton, minha gente. Aquela assistente traumatizada, humilhada, faminta e obcecada virou executiva poderosa do mundo do luxo, sentada do outro lado da mesa, disputando cada centavo de verba publicitária com a mulher que moldou seu caráter profissional à base de medo e salto alto. A rivalidade tem gosto de revanche bem-sucedida, com orçamento bilionário, sorriso contido e vontade antiga de ajustar contas.
No meio desse duelo entra Andy Sachs, puxada de volta para a órbita da Runway depois de anos tentando se afastar daquele universo. Ela reaparece como editora de textos, apresentada de forma quase casual, mas rapidamente engolida pelo fogo cruzado entre a ex-chefe e a ex-colega agora poderosa. Andy vira ponte, amortecedor emocional e testemunha ocular de um império que tenta provar relevância em um cenário que mudou de regras.
O filme também escancara o peso simbólico da Runway como um monumento cultural que se recusa a virar peça de museu. Nigel surge lembrando que a revista ainda é um ícone internacional, enquanto Miranda circula por eventos gigantescos tentando manter autoridade em um sistema que derruba coleção e carreira com um vídeo de segundos. O choque entre glamour controlado e brutalidade digital vira motor da história.
Para completar o pacote, a sequência traz de volta o diretor David Frankel e a roteirista Aline Brosh McKenna, apostando sem pudor na nostalgia, no conflito de poder e na discussão sobre o fim de uma era que moldou gerações. Com estreia marcada para 1º de maio de 2026, o filme promete devolver Miranda Priestly ao centro do palco, mais ameaçada, mais afiada e ainda absolutamente consciente de que ninguém derruba uma rainha sem sair ferido.