O nome de Edir Macedo voltou a circular fora do púlpito, mas agora o assunto não é sermão, televisão nem audiência da Record. É banco, Faria Lima e bastidor financeiro. O Banco Digimais, antigo Banco Renner e ligado ao Grupo Record, virou personagem de uma novela que mistura tentativa de venda frustrada, ex-Banco Master, BTG Pactual e um daqueles enredos que deixam qualquer planilha parecendo capítulo de folhetim.
Eu ainda estava no Cosme Velho, tentando decidir se almoçava direito ou se beliscava o resto do galeto direto da travessa, quando esse assunto caiu no meu colo. Fechei a porta da cozinha, abri o computador e pensei: meu amor, quando Edir Macedo sai da página religiosa e vai parar na conversa da Faria Lima, é porque tem dinheiro grande andando de elevador espelhado.

O centro da história é o Banco Digimais, instituição que nasceu como Banco Renner e depois passou a ser controlada pelo grupo ligado a Edir Macedo. O banco atua em áreas como crédito consignado e financiamento de veículos, mas ganhou outro tipo de atenção nos últimos tempos por causa das movimentações envolvendo seu controle.
Segundo informações disponíveis sobre a trajetória da instituição, em 2025 chegou a ser anunciada uma transferência de controle do Banco Digimais para Maurício Quadrado, empresário que já teve ligação com o Banco Master. O negócio, no entanto, não prosperou. E é aí que a fofoca de mercado começa a ficar com cheiro de café caro e reunião fechada.
Quadrado aparece em apurações ligadas ao universo do Master, banco que virou assunto pesado no mercado financeiro. A tentativa de compra do Digimais acabou ficando pelo caminho, e o banco de Edir Macedo passou a ser citado em meio a um cenário de pressão, dúvidas sobre patrimônio e necessidade de uma saída mais robusta.
Depois desse capítulo mal resolvido, o nome que surge no roteiro é o BTG Pactual. O banco comandado por gigantes da Faria Lima teria fechado acordo para comprar o Digimais, em operação de valor não divulgado e ainda dependente de aprovações regulatórias, como Banco Central e Cade. Traduzindo para quem não fala economês: o bispo entrou com o banco, o ex-Master quase levou, mas quem apareceu com cara de protagonista foi o BTG.
Outro detalhe que deixa essa história ainda mais novelesca é a presença de Aldemir Bendine na presidência do Banco Digimais desde dezembro de 2025. Sim, o mesmo Bendine que já presidiu o Banco do Brasil e a Petrobras. É currículo suficiente para transformar qualquer reunião de conselho em mesa de gente que já viu crise de todos os tamanhos.

Nos bastidores, o que chama atenção é justamente a mudança de clima. O Digimais deixou de ser apenas um banco discreto ligado ao império de comunicação e fé de Edir Macedo para virar uma peça observada pelo mercado. Quando uma instituição sai de uma tentativa de venda que não avançou e aparece depois no radar de um banco do tamanho do BTG, não é só troca de dono. É rearrumação de poder.
E aí está o ponto que deixa tudo com a cara dessa coluna: Edir Macedo construiu um império entre templo, televisão, rádio, livro e política. Mas, nessa história, quem está pregando é a Faria Lima. E a mensagem dela é simples: quando banco começa a dar dor de cabeça, até bispo precisa de comprador com terno bem cortado e departamento jurídico acordado.