Amadas, amadinhos, ontem eu simplesmente perdi a conta. Dos vinhos, das taças e dos gritos. Porque quando saiu a vitória do filme do meu querido Wagner Moura com Kleber Mendonça Filho, eu já estava no modo comemoração oficial. Aqui no Cosme Velho virou quase um festival paralelo. Eu, minhas amigas, taça pra cima, risada solta, alguém gritando “o Brasil é nosso”, outra berrando “é cinema, meu amor”, e eu só pensando que 2026 resolveu chegar chegando.
Não foi só um prêmio. Foi aquele tapa fino na cara do vira-latismo. Foi o cinema brasileiro olhando pra Hollywood de frente, sem pedir licença e sem baixar os olhos. A cada brinde, a certeza aumentava: começamos 2026 não apenas com o pé direito, mas com o olhar cinéfilo lá em cima, afiado, orgulhoso e absolutamente consciente de que essa vitória não é acaso. É construção, é talento e é Brasil ocupando o lugar que sempre foi dele.

O Agente Secreto não ganhou só um troféu. Ganhou status, respeito e aquele olhar atravessado de Hollywood dizendo “opa, o Brasil voltou a incomodar”.
Sim, meus anjos, estamos falando do primeiro filme brasileiro da vida a vencer o Critics Choice de Melhor Filme Internacional. Não é prêmio de festival alternativo com carpete fino e público de mochila. É Los Angeles, é indústria, é termômetro real do Oscar.

E quando a crítica americana bate palma, pode anotar, o jogo vira.
Durante décadas, o cinema brasileiro foi tratado lá fora como aquele convidado interessante, mas que senta na ponta da mesa. A vitória de O Agente Secreto quebra esse pacto silencioso. Não é mais curiosidade. É concorrência.
A mensagem foi clara, direta e sem legenda. O cinema brasileiro não é coadjuvante. É protagonista.
Nada caiu do céu. O filme já vinha sendo cochichado desde Cannes, onde saiu rotulado como queridinho dos críticos. Depois disso, foi prêmio aqui, prêmio ali, aquele burburinho elegante que constrói narrativa forte na temporada.

Campanha bem feita, estratégia afinada e, claro, obra à altura. Porque sem filme bom, não tem reza que resolva.
Kleber Mendonça Filho já era respeitado. Agora é carimbo de qualidade global. Cinema autoral, político, tenso, mas que conversa com plateia grande sem pedir desculpa.
Wagner Moura sai dessa temporada maior do que entrou. Mesmo sem levar prêmio individual, ele é o rosto que conecta o filme ao mundo. Transita entre Hollywood, streaming e cinema de autor com uma naturalidade que pouca gente tem.

Hoje, poucas frases vendem tanto quanto “um filme de Kleber Mendonça Filho estrelado por Wagner Moura”. Isso é marca. Isso é poder.
Agora vamos falar do que realmente interessa. Troféu é lindo, mas o impacto vem depois.
Esse prêmio abre portas para distribuição internacional, aumenta o interesse de plataformas, facilita coproduções e traz mais dinheiro e mais liberdade artística.
Num mercado historicamente subfinanciado, o selo dos críticos americanos pesa como ouro. E muda o jogo para quem vem depois.

O cinema brasileiro vive um momento de ouro. Não é favor, não é patriotismo, não é torcida. É excelência.
O Agente Secreto mostra que nossas histórias disputam espaço, sim, ombro a ombro com os grandes títulos do ano. Inclusive na corrida pelo Oscar.
O Brasil não pediu licença. Entrou, sentou na mesa e pediu o cardápio inteiro.