Eu estava aqui, de roupão e café forte, quando a web decidiu acordar em modo júri internacional. Bastou o nome de Luciana Gimenez aparecer em papéis do Departamento de Justiça dos Estados Unidos ligados ao caso Jeffrey Epstein para o espetáculo começar. Print para cá, teoria para lá, indignação com filtro e muita certeza de quem leu só a manchete.
Luciana foi direta, do jeito que corta o barulho. Disse que nunca conheceu Epstein e jamais teve contato pessoal, profissional ou financeiro com ele. Falou em vinculação indevida e avisou que repudiou qualquer tentativa de colar seu nome ao escândalo. Nota longa, linguagem técnica, tom de quem entra na sala e pede silêncio.
Agora, o bastidor que a timeline ignora. Os documentos citados fazem parte de um pacote gigantesco de registros financeiros, com milhares de páginas, liberados sem contextualização individual. Nesse bolo, surgem nomes de clientes de instituições financeiras que nada têm a ver com o foco da investigação. O papel aceita tudo, inclusive confusão.
A própria apresentadora afirmou ter procurado o Deutsche Bank Trust Company Americas para entender por que suas movimentações apareceram nesse conjunto público. Segundo a explicação apresentada, os registros mencionam transferências internas, de sua conta de investimentos para a conta pessoal. Os arquivos citam valores altos em dólares, mas não descrevem finalidade, contexto completo nem qualquer acusação criminal contra ela.

Tradução simultânea da Kátia aqui. Mega devassa bancária gera mega ruído. Nome famoso vira isca perfeita. A internet corre, julga, sentencia e segue para o próximo assunto. No meio disso, fica o estrago reputacional de quem não está formalmente acusado de nada.
O caso Epstein é real, grave e repulsivo, com vítimas que merecem centralidade e respeito. Misturar esse horror com leituras apressadas de extratos sem contexto só cria barulho e não produz verdade. Luciana fez o movimento esperado de quem quer estancar incêndio antes que vire lenda urbana com pernas longas.