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Kátia Flávia
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Nova pesquisa brasileira pode ampliar o acesso ao transplante capilar nos próximos anos

Técnica nacional que multiplica células de folículos capilares em laboratório pode beneficiar pacientes sem área doadora suficiente e reduzir o tempo cirúrgico.

Kátia Flávia

24/07/2026 16h19

Pesquisa da Unicamp abre novas perspectivas para o futuro do transplante capilar.

Pesquisa da Unicamp abre novas perspectivas para o futuro do transplante capilar.

A pesquisa desenvolvida pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) conseguiu multiplicar células de folículos capilares em laboratório a partir de uma pequena amostra do próprio paciente (entre 50 e 120 unidades). O avanço reacendeu as expectativas em torno da medicina regenerativa aplicada ao transplante capilar, pois a técnica poderá, futuramente, ampliar as possibilidades de tratamento para pacientes que hoje não possuem folículos suficientes para realizar o procedimento convencional, incluindo aqueles que perderam cabelo devido à quimioterapia ou queimaduras. Além disso, a tecnologia tem o potencial de reduzir o tempo cirúrgico de oito a dez horas para cerca de duas horas, aliviando o estresse físico do paciente e aumentando a precisão do procedimento.

Para o médico especialista em transplante capilar, Dr. Felipe Blanco, é importante compreender exatamente o que foi alcançado pelos pesquisadores. “A pesquisa existe e foi desenvolvida na Unicamp. Porém, a tecnologia ainda está em fase pré-clínica. Ela ainda precisa passar por testes antes de chegar às clínicas”, explica.

Ao contrário do que muitos imaginaram após a divulgação da pesquisa, o estudo não criou um novo folículo capilar totalmente funcional. De acordo com o especialista, “Os pesquisadores multiplicaram células retiradas de folículos do próprio paciente e as reorganizaram em estruturas tridimensionais chamadas organoides. Isso não é o mesmo que criar um novo folículo totalmente funcional.” O processo envolve a coleta de folículos que são “desmontados” por reagentes, liberando tipos celulares como queratinócitos, células-tronco e células mesenquimais. Essas células são cultivadas até se multiplicarem e, em seguida, transferidas para placas especiais que induzem a formação dos organoides, que replicam a arquitetura do folículo original e iniciam o crescimento de fios.

O Dr. Felipe Blanco esclarece: “Um organoide é uma miniatura biológica criada em laboratório. Ele imita parte da estrutura e da função de um órgão, mas não é um órgão completo. Uma boa analogia é um protótipo de carro: ele pode parecer pronto, mas só os testes mostram se realmente funciona por muito tempo.”

Na avaliação do especialista, transformar um organoide em um folículo totalmente funcional ainda representa um dos principais desafios da medicina regenerativa. Para isso, as células precisam se organizar exatamente na posição correta, conectar-se aos vasos sanguíneos, responder aos sinais do organismo, passar pelos ciclos naturais do cabelo durante anos e manter a resistência à calvície característica da área doadora.

Além disso, será necessário comprovar que esses organoides conseguem sobreviver após o transplante, produzir fios normais e permanecer funcionais por muitos anos, primeiro em modelos animais e, posteriormente, em seres humanos.

Atualmente, a pesquisa da Unicamp está na fase de caracterização e de estudos in vitro. A previsão é que a etapa pré-clínica, incluindo os experimentos em animais, seja concluída em aproximadamente 18 meses. Somente depois desse processo poderão ser iniciados os estudos em seres humanos.

“A pesquisa representa um avanço importante na medicina regenerativa. Se os próximos estudos confirmarem os resultados, ela poderá ampliar muito as possibilidades do transplante capilar. Mas ainda não significa que as clínicas já consigam multiplicar folículos para tratar pacientes”, conclui o Dr. Felipe Blanco.

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