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Kátia Flávia
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No Bom Dia SP, Sabina Simonato anuncia morte de produtora da TV Globo em acidente de trânsito

Fernanda Santos, produtora de reportagem da TV Globo com mais de 20 anos de casa e referência em Carnaval, morreu após acidente de trânsito na Zona Norte de São Paulo.

Kátia Flávia

19/03/2026 13h00

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A apresentadora do Bom Dia SP chorou ao vivo durante telejornal ao noticiar a morte de uma colega de emissora. (Foto: Reprodução/Notícias da TV)

Sabina Simonato apareceu visivelmente abalada ao anunciar, no Bom Dia São Paulo desta quinta-feira, a morte da produtora de reportagem Fernanda Santos, colega de TV Globo, vítima de um acidente de trânsito na noite anterior. A apresentadora tentou seguir, explicou o caso, falou do socorro, falou da perda, mas a emoção tomou conta no ar e ali não havia performance, pose ou televisão fazendo charme. Havia luto mesmo, cru, desses que deixam a bancada parecendo pequena demais para tanta tristeza.

Fernanda estava em um carro de aplicativo que bateu em outro veículo após uma conversão proibida no cruzamento das avenidas Deputado Emílio Carlos e General Penha Brasil, na Zona Norte de São Paulo. Ela chegou a ser socorrida, mas não resistiu. A notícia já seria devastadora por si só, meu bem, só que ganha outro peso quando vem acompanhada da lembrança de quem ela era dentro da casa. Formada em jornalismo em 1998, também graduada em pedagogia, com mestrado e doutorado em comunicação pela USP, Fernanda trabalhava havia mais de 20 anos na redação da Globo em São Paulo como produtora de reportagem. Estamos falando de uma profissional de lastro, estudo e estrada, dessas que seguram bastidor, afinam cobertura e fazem televisão acontecer longe do holofote.

E aí veio a parte que me pegou de verdade. Sabina lembrou que Fernanda foi importante na sua primeira transmissão de Carnaval, entregou apostilas, explicou as escolas, ensinou caminho, contexto e bastidor. Isso diz muito. Em redação grande, meu povo, existe a estrela da frente da câmera e existe a constelação inteira que sustenta tudo por trás. Fernanda era desse time que conhece o mapa da avenida, o ritmo da apuração e o coração da cobertura. O Carnaval, aliás, era uma das paixões e especialidades dela, com décadas de transmissões nas costas e autoridade suficiente para comentar o tema na própria emissora. Uma mulher que sabia e repartia o que sabia. Isso vale ouro em qualquer profissão, ainda mais num ambiente em que tanta gente prefere competir a ensinar.

Sabina ainda tentou concluir, mandou abraço à família, aos amigos, citou os irmãos, lembrou colegas de muitos anos, mas a voz falhou. E eu vou te dizer uma coisa com toda a minha perua guardada na bolsa por cinco minutos: uma cena assim vale como retrato exato do tamanho da ausência. Fernanda Santos deixa mãe, três irmãos, colegas marcados pela convivência e um buraco daqueles que o crachá não preenche. Velório e sepultamento ainda não tinham sido divulgados no momento do comunicado. Hoje, a notícia não pede deboche, pede respeito. E respeito, meu amor, também é saber reconhecer que por trás de toda grande transmissão existe alguém como Fernanda, fazendo o Brasil enxergar melhor o que está diante dele.

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