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Kátia Flávia
Kátia Flávia

No BBB 26, Solange Couto espalha fake news sobre Bolsa Família

Fala da atriz vira munição política, apanha nas redes e cai por terra diante das regras oficiais do programa social.

Kátia Flávia

13/01/2026 16h08

Fala da atriz vira munição política, apanha nas redes e cai por terra diante das regras oficiais do programa social.

Meus amores, o BBB gosta de confissão, mas não de invenção com alcance nacional. No primeiro dia do Big Brother Brasil 26, a eterna Dona Jura, Solange Couto resolveu contar uma história que não fecha com a realidade e acabou entregando um clássico da desinformação brasileira, aquela que parece experiência pessoal, soa convincente e desmorona no primeiro checador de fatos.

Dentro da casa, em conversa informal, a atriz insinuou que o Bolsa Família estimularia abandono escolar. A narrativa veio com tempero de bastidor, personagem sem nome, autoridade difusa e a frase mágica do folclore da fake news, eu vi, ninguém me contou. Bastou isso para o assunto atravessar o sofá, cair nas redes e virar debate político embalado por reality show.

O problema é simples. A regra do Bolsa Família vai na direção oposta do que foi dito. O programa exige frequência escolar como condição para o benefício. Criança e adolescente precisam estar matriculados e comparecer às aulas. Sem presença, não tem pagamento. Não é interpretação, é norma.

Enquanto a fala rodava em loop, a internet fez o que a casa não faz. Checou. Usuários apontaram o erro, lembraram as condicionalidades e cobraram responsabilidade de quem fala para milhões. A crítica não veio com delicadeza. Veio direta, como o momento pede. Gente com visibilidade não pode transformar achismo em verdade nacional.

Para quem insiste em fingir surpresa, vale o resumo objetivo. Crianças de 4 a 6 anos precisam manter ao menos 60% de frequência escolar. De 6 a 18 anos, o índice sobe para 75%. O acompanhamento é feito pelo Ministério da Educação, que cruza dados com o sistema social e monitora faltas ao longo do ano. Não existe brecha poética, nem interpretação flexível, nem jeitinho narrativo.

O episódio expõe um vício antigo do debate público brasileiro. A mistura de memória pessoal mal contada com política pública real. Dentro do BBB, essa mistura vira combustível imediato. Fora dele, vira desinformação com alcance industrial. E não adianta empacotar o erro como relato humano. Regra existe para ser respeitada, especialmente quando o assunto envolve milhões de famílias.

A fala de Solange também desmonta outro mito conveniente. O de que política só aparece no BBB quando alguém decide discutir voto ou partido. Política surge quando alguém espalha informação falsa sobre um programa social. Aí não é opinião. É dado errado circulando em horário nobre.

O reality segue, o jogo anda, novas tretas virão. Essa fica como registro do dia em que uma conversa de quarto virou aula pública de checagem. E deixou claro que, no BBB, a casa é vigiada, mas a internet vigia melhor ainda.

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