Eu, Kátia Flávia, já acordei sabendo que o pop mundial não teria paz hoje. Direto de Seul com escala obrigatória no Carnaval de São Paulo, as meninas do NMIXX resolveram brincar de relógio suíço com a nossa Pabllo Vittar e lançaram TIC TIC como quem joga glitter numa ventoinha. Resultado? Dois milhões de pessoas vendo nascer, ao vivo, o maior cruzamento pop do ano no Bloco da Pabllo. Eu tremi. Você teria tremido também.
“TIC TIC” chega com pose de faixa que sabe que manda. Mistura inglês, coreano e português sem pedir licença, dá ordem de pista, puxa a batida pra frente e entrega aquele refrão que gruda feito cílios postiços depois de oito horas de folia. O conceito é relógio batendo, cabeça girando, corpo obedecendo. Nada delicado. Nada tímido. É pop pra multidão mesmo, daquele que faz o celular voar da mão no primeiro “tic”.

As meninas do NMIXX estavam em estado de alegria explícita. Lily já se sentiu praticamente brasileira, meteu a mão na composição e falou com aquele brilho de quem sabe que participou de algo grande. Haewon veio com discurso de conexão real com fãs, daquele tipo que parece ensaiado mas sai sincero. Sullyoon celebrou o reencontro com Pabllo como quem fala de crush antigo que voltou melhor. Bae elogiou a vibe do estúdio e avisou que a coreografia vicia. Jiwoo garantiu que o refrão não sai da cabeça, aviso dado. Kyujin resumiu tudo dizendo que dançar e cantar assim foi divertido num nível perigoso.
E Pabllo? Ah, Pabllo estava em casa. Recebeu as meninas no circuito, gravou clipe em São Paulo, puxou trio elétrico e ainda soltou aquela frase que soa meio deboche, meio orgulho. Disse que acompanha a carreira delas, que o som tem a cara dela e que já se sente um idol. Eu assino embaixo. No meio do Carnaval, com milhões olhando, Pabllo virou mesmo a ponte oficial do K pop com o Brasil suado, alto e sem pedir desculpa.