Aqui em Veneza, eu estava de óculos no nariz e um chá na mão em videochamada com as minhas amigas quando o assunto virou Minas Gerais e eu precisei pausar tudo. Gente, a treta mineira tem mais camadas que lasanha de domingo e está reorganizando o tabuleiro da política nacional sem que quase ninguém perceba.
O fato é o seguinte: Cleitinho lidera as pesquisas para governador de Minas entre os conservadores, mas Nikolas Ferreira não fez nenhum gesto público de apoio à candidatura do senador, movimento que nos bastidores é lido como resistência clara.  Enquanto isso, Nikolas tem dado sinais de aproximação com o vice-governador Mateus Simões, do PSD, que é pré-candidato ao Executivo mineiro , mesmo Simões não chegando perto de Cleitinho nas pesquisas. Nikolas descartou concorrer ao governo e confirmou que vai para a reeleição na Câmara, mas deixou claro que está trabalhando para achar um nome para o governo de Minas,  e esse nome, pelos acenos que dá, não é Cleitinho.

Nos bastidores, o PL em Minas está rachado: parte dos deputados apoia Cleitinho pela viabilidade eleitoral, enquanto setores mais estruturados do partido preferem seguir Nikolas no aceno a Simões.  O presidente da sigla em MG, Domingos Sávio, fala em “prudência” e nega racha. Prudência, em politiquês, é o nome bonito para impasse sem solução à vista.
A leitura que faço daqui de Veneza, entre um gole de chá e a cara de espanto das minhas amigas na tela, é a seguinte: Nikolas descartou o governo para preservar sua força nacional, mas não quer que Cleitinho ocupe esse espaço e cresça como liderança autônoma da direita mineira. Apoiar Simões, que não tem os números de Cleitinho, é uma forma de manter o controle do tabuleiro sem precisar subir no palco. É o tipo de jogada que quem pensa em 2030 faz em 2026.
A fragmentação da direita em Minas pode enfraquecer o campo conservador diante dos adversários , e o segundo maior colégio eleitoral do Brasil sem palanque unificado para Flávio Bolsonaro é um problema que vai muito além de Belo Horizonte. Minhas amigas entenderam na hora. Política boa é isso: quando você explica numa videochamada e todo mundo para de mexer no celular.