Gente, senta que lá vem a treta mais suculenta da semana. Recebi vídeo exclusivo da entrevista que o deputado Nikolas Ferreira gravou pro programa “Política em Minutos”, parceria daquela emissora do Léo Dias que virou a Netflix do noticiário político. E olha, amores, o rapaz não veio brincar: ele lançou o próprio nome no mercado futuro da Presidência da República como quem anuncia um IPO antes mesmo de ter idade pra abrir capital.
Perguntado sobre qual catástrofe cancelaria essa jornada dele rumo ao Planalto, o mineiro não titubeou: “Cara, eu só se caísse uma bomba no Brasil, porque caso contrário eu estou à disposição, completamente.” Ou seja, salvo apocalipse total, o ativo está listado, cotado e com liquidez garantida. É só esperar o vencimento do contrato em 2034, quando ele finalmente completa a idade mínima pra disputar o cargo. Bukele que se cuide, porque o Brasil já tem um candidato a “CEO da Ordem” fazendo pré-marketing com anos de antecedência.

E o menino não estava sozinho na régua moral, não: trouxe até conselho de família pra justificar o timing. “Meu pai mencionou o seguinte: é melhor você estar pronto e não ter oportunidade do que você ter oportunidade e não estar pronto”, repetiu ele, num tom que era metade herança espiritual, metade guidance de conselho administrativo. Aquilo que no mercado a gente chamaria de “sucessão planejada”, só que em vez de passar a holding da família, é a narrativa política que já vem sendo blindada com antecedência, tipo quem registra a marca antes do concorrente.
Mas o verdadeiro pacote de reformas, chamemos de “plano de recuperação judicial da segurança pública”, veio na sequência, e aqui, meus amores, eu tive que segurar o cafezinho. Ele propôs uma espécie de anistia geral retroativa pra quem já cometeu crime até hoje: “Eu faria até um acordo: quem é vagabundo, quem é corrupto, daqui para trás eu vou ter amnésia, eu esqueço. Você já roubou, fez alguma coisa, deixa para lá. Agora, primeiro de janeiro de algum ano, para frente, quem cometer qualquer tipo de crime vai tomar para dentro.” Uma espécie de “marco zero contábil” da bandidagem nacional: zera o passivo, reseta o balanço, e a partir daí é tolerância zero. Se isso fosse um fundo de investimento, o nome seria “Reset Penal FIA”.

O ponto mais espinhoso, claro, foi o discurso sobre redução da maioridade penal, carro-chefe do portfólio ideológico dele. Ele detonou o que chamou de excesso de garantismo: “Não dá, cara, pra ficar nessa frescura de ‘ai, a gente quer aprovar a redução da minoridade penal’, mas aí tem que fazer as vontades do lírio do campo. Tem gente morrendo na mão de menor vagabundo.” E completou com a régua da pena definitiva: “Tomou 20 anos de cadeia e vai ficar 20 anos na cadeia. Já que você não consegue viver em sociedade, então viva dentro da cadeia.” Zero saidinha, zero progressão. No linguajar do mercado, seria o equivalente a título sem liquidez e sem possibilidade de resgate antecipado.
E pra fechar com chave de ouro, ele ainda deu aula de storytelling institucional comparando reforma de segurança pública com sessão de quimioterapia: “Nós estamos vivendo um câncer, cara. E um câncer não se cura com band-aid. Quer mudar o Brasil? A gente vai ter efeito colateral. A gente tem que aguentar o tranco.” Deboche à parte, é impossível não notar: o rapaz sabe empacotar produto. Onde outros venderiam “medida polêmica”, ele vende “tratamento necessário”. Isso, gente, é o que separa quem faz apenas política de quem entende de branding.
No fim das contas, essa entrevista no “Política em Minutos” foi menos debate de ideias e mais um roadshow adiantado de quem já sabe exatamente qual poltrona quer ocupar. Só está esperando o mercado (e o calendário eleitoral) abrir a janela certa. Fica o aviso: 2034 pode parecer longe, mas em Brasília, minha gente, prazo curto é o que menos existe.