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Kátia Flávia
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Nikolas Ferreira rejeita aborto em caso de estupro e diz que mulher pode entregar bebê para adoção

Em entrevista ao programa “Políticas em Minutos”, da PlatôBR, exibido pela TV Léo Dias, deputado afirmou que violência sexual é uma “dor inimaginável”, mas defendeu que o crime não justificaria interromper a gestação

Kátia Flávia

24/08/2026 12h07

Nikolas Ferreira afirmou ser contrário ao aborto mesmo quando a gravidez é resultado de estupro e apontou a adoção como alternativa após o nascimento - Reprodução Léo Dias TV

Nikolas Ferreira afirmou ser contrário ao aborto mesmo quando a gravidez é resultado de estupro e apontou a adoção como alternativa após o nascimento – Reprodução Léo Dias TV

Eu estou passada. Indignada. E olha que, depois de anos cobrindo famoso, política, televisão e todo tipo de declaração capaz de derrubar o café da mão, achei que já tivesse adquirido imunidade. Não adquiri.

Em entrevista ao “Políticas em Minutos”, da PlatôBR, exibido pela TV Léo Dias, Nikolas Ferreira foi questionado sobre sua posição em relação ao aborto e sobre as acusações que recebe de adversários, como transfobia, homofobia e fascismo.

A pergunta colocava uma questão delicada na mesa: por que, na visão do deputado, a vida de um feto deveria prevalecer diante da situação de uma mulher que sofreu violência?

Foi aí que a conversa entrou num terreno que me deixou aqui no Cosme Velho andando de um lado para o outro.

Nikolas afirmou que situações de sofrimento, pobreza ou fome não poderiam servir como justificativa para “matar alguém”. Ao falar inicialmente de gravidez indesejada, soltou:

“Ninguém tropeça numa bicicleta e engravida, né?”

Meu amor, eu ouvi, voltei o vídeo e ouvi novamente porque achei que meu café tivesse interferido na transmissão.

Na sequência, porém, quando o entrevistador especificou o caso de estupro, Nikolas diferenciou a situação. Disse não ter dúvidas de que se trata de uma “dor inimaginável” e descreveu a violência sofrida por uma mulher como algo “terrível”.

Ainda assim, manteve sua posição contrária ao aborto também nessa circunstância.

“Pelo fato desse crime ser terrível, isso não dá uma justificativa para você matar uma pessoa que não tem nada a ver com isso”, afirmou.

O deputado acrescentou que a mulher violentada não precisaria permanecer com a criança depois do nascimento e poderia entregá-la para adoção.

E quando eu achei que minha indignação já tinha encontrado teto, veio mais uma declaração. Nikolas associou parte dos abortos a jovens que, segundo ele, teriam sido influenciadas pelo feminismo.

“É um bando de menina que foi influenciada por feministas para poder ter sexo desregrado, quando tem um filho quer abortar.”

Aí, querida, eu larguei o café.

Independentemente de concordância política, religiosa ou ideológica sobre aborto, estamos falando de estupro, violência contra a mulher e de uma gravidez que pode decorrer de um crime. É assunto que exige precisão, inclusive para não colocar na boca do entrevistado aquilo que ele não disse.

Nikolas não afirmou literalmente que mulheres estupradas deveriam ser “obrigadas a ter o filho do estuprador”. O que ele efetivamente defendeu foi que o aborto não deveria ocorrer mesmo quando a gravidez resulta de estupro e apresentou a adoção após o nascimento como alternativa.

E isso, por si só, já é uma declaração suficientemente forte para provocar discussão sem que ninguém precise acrescentar uma vírgula.

Eu continuo passada.

Durante entrevista ao “Políticas em Minutos”, Nikolas Ferreira classificou o estupro como uma “dor inimaginável”, mas manteve sua posição contrária à interrupção da gestação – Reprodução Léo Dias TV

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