Estou aqui na Costa Amalfitana com o mar na frente e o celular explodindo, porque Neymar decidiu que a melhor hora para usar uma expressão sexista era numa entrevista ao vivo após uma vitória, com câmera, microfone e o Brasil inteiro assistindo. Ele jogou bem, participou dos dois gols, levou o terceiro amarelo e ficou suspenso para o jogo contra o Flamengo. E aí foi falar. E falou isso.
A comentarista Mariana Pereira, da ESPN, não poupou: destacou que falas assim normalizam a misoginia e foi direta sobre o fato de Neymar ser pai de três meninas, dizendo que se sentir à vontade para usar essa expressão em rede nacional “é mostrar que você não tem nenhuma preocupação com o que as suas filhas podem passar no futuro.” Mavie tem 2 anos. Helena, 1 ano e 9 meses. Mel completa 9 meses neste domingo. Três meninas que um dia vão crescer e ouvir essa entrevista.
A expressão “de chico” é vista por muitos como de cunho machista, por fazer alusão à menstruação feminina de forma pejorativa, associando-a a alterações de humor. O Twitter entrou em colapso imediato, o tema foi parar nos trending topics antes mesmo do apito final de outros jogos da rodada, e a indignação veio de todos os lados, inclusive de torcedores do Santos que ficaram sem argumento para defender.
Minha leitura pirua é que Neymar está correndo contra o tempo para ser convocado por Ancelotti para a Copa de 2026, a lista sai em maio, e ele escolheu exatamente essa semana para aparecer nos noticiários pelo motivo errado.
Jogou bem, contribuiu para a vitória, e transformou o pós-jogo numa aula sobre o que não dizer em frente a um microfone em 2026.
Aqui da Costa Amalfitana, onde o vento bate forte e eu seguro meu copo com as duas mãos, só consigo pensar nas três meninas que estão crescendo em casa enquanto o pai ensina ao Brasil, ao vivo, que menstruação ainda serve de insulto. Mavie, Helena e Mel merecem muito mais do que isso.