A voz falhou. O olhar pesou. E, por alguns segundos, o estúdio da GloboNews ficou em silêncio. Natuza Nery se emocionou ao vivo ao comentar a morte de Tainara Santos, a mulher que foi arrastada por um carro na Marginal Tietê, em São Paulo. Não foi um choro explícito. Foi algo mais profundo. Um nó na garganta que dizia tudo.
O caso, que já havia chocado o país pela brutalidade, ganhou outra dimensão quando a jornalista relatou o que viu. Tainara foi encontrada ainda consciente, caída no asfalto, após ser arrastada. Parte do corpo ferido. A roupa rasgada pelo impacto. E, mesmo assim, em meio à dor e ao choque, ela usava as mãos para cobrir a parte íntima.
Esse detalhe, quase insuportável, foi o que mais tocou Natuza. Não apenas pela violência física, mas pelo símbolo que ele carrega. Mesmo ferida, mesmo vulnerável, aquela mulher ainda tentava se proteger do olhar alheio. Um reflexo cruel de como mulheres aprendem, desde cedo, a se defender até quando já não têm forças.
Ao comentar o caso, a apresentadora deixou transparecer a indignação que atravessa tantas brasileiras. Não era apenas uma notícia. Era o retrato de um país onde a violência contra a mulher se repete, se normaliza e, muitas vezes, termina em morte.
Tainara não resistiu. E sua história se soma a uma estatística que assombra. O Brasil segue entre os países mais violentos do mundo para mulheres. Todos os dias, em média, quatro delas são vítimas de feminicídio.
O momento de emoção de Natuza Nery não foi fragilidade. Foi humanidade. Foi o jornalismo cumprindo seu papel mais essencial, lembrar que por trás dos números existem corpos, histórias e vidas interrompidas.
E que enquanto não ensinarmos nossos filhos a nunca agredir, e nossas filhas a nunca aceitar a agressão, cenas como essa continuarão se repetindo. Em silêncio. Diante das câmeras. Ou longe delas.