Menina, a televisão acordou atravessada. Ana Maria Braga abriu o Mais Você sem açúcar, sem afago e sem aquele tom conciliador que costuma marcar o dia seguinte à eliminação do Big Brother Brasil 26. Ao dizer que não teria o desprazer de entrevistar Pedro, ela não estava só comentando um participante. Estava puxando o freio de mão de um costume antigo da TV.
O café da manhã com o eliminado sempre funcionou como um ritual de limpeza de imagem. A pessoa sai da casa, senta à mesa, conta sua versão, chora um pouco, aprende uma lição e segue a vida com um verniz de redenção. Ana Maria simplesmente tirou esse palco de cena. Não teria entrevista, não teria conversa mansa, não teria acolhimento automático.
No comentário, ela foi além do desabafo pessoal. Disse que, se Pedro não tivesse apertado o botão para sair, a eliminação seria questão de tempo. Pelas atitudes dentro da casa, o primeiro paredão já daria conta do recado. E deixou implícito o que muita gente comentou fora do ar. Em situações assim, nem a produção consegue fingir normalidade.
O ponto mais forte veio na sequência. Ana Maria nomeou o que parte do público ainda tenta relativizar. Importunação sexual. Sem rodeio, sem desculpa de confinamento, sem usar bebida ou brincadeira como escudo. Ela reforçou que isso é inadmissível em qualquer lugar. Dentro de casa, fora dela, em programa de TV ou longe das câmeras.
A recusa pesa porque quebra um formato consagrado. O Mais Você sempre foi o lugar da conversa civilizada, do café servido com educação, do olhar compreensivo. Ao negar esse espaço, Ana Maria deixa claro que nem todo comportamento cabe nessa mesa. Tem coisa que não se resolve com pão na chapa e discurso pronto. Tv