Boni respondeu a um comentário ofensivo nas redes sociais após ser chamado de “gagá” por um internauta. Aos 90 anos, o ex-diretor da Globo se manifestou depois de publicar um vídeo explicando os bastidores da escolha da trilha sonora do Jornal Nacional.
Eu já estava saindo de Marina Botafoch, em Ibiza, com o vento tentando transformar meu cabelo em instalação artística e a clutch dourada presa debaixo do braço, quando apareceu Boni tendo que pedir educação para adulto na internet. A pessoa pode ter 90 anos, memória de bastidor da televisão brasileira inteira e ainda assim precisa lidar com fiscal de comentário sem modos. É cansativo até com vista para o mar.

A confusão começou depois que Boni explicou que a abertura do Jornal Nacional foi inspirada em The Fuzz, de Frank De Vol. Segundo ele, muita gente confunde a trilha com Summer of 68, do Pink Floyd, por causa da semelhança entre as composições. Nos comentários, um usuário disparou: “Boni tá gagá, esqueceu o que fez”.
Em novo vídeo, Boni respondeu com firmeza, mas sem perder a classe. “Pelo amor de Deus, nada de grosserias. Nós estamos aqui para contar histórias, divertir e curtir o que é bom. E o que é bom, acima de tudo, é a gente pesquisar com carinho e cuidado”, afirmou.
Eu parei na calçada e pensei: olha a diferença de categoria. O outro entra com “gagá”. Boni devolve com “pesquisar com carinho e cuidado”. Isso não é resposta, é aula de postura com iluminação de estúdio.
Na legenda da publicação, ele reforçou a explicação sobre a música. “Eu recebi esse comentário em um vídeo que fiz contando a história da música do Jornal Nacional. Muita gente acha que a música que usamos era Summer ‘68, do Pink Floyd. Mas não. A música, como falei no vídeo inicial, é The Fuzz, do Frank De Vol. Aqui eu mostro o porquê da confusão”, escreveu.
A reação de Boni repercutiu entre seguidores, que elogiaram a educação com que ele lidou com a provocação. Lulu Santos saiu em defesa do ex-executivo e resumiu: “Repetindo: memória viva”. Lúcio Mauro Filho também comentou: “Educação sempre!”.

E vamos combinar, meus amores: chamar Boni de “gagá” enquanto ele explica a história de uma das aberturas mais famosas da televisão brasileira é como corrigir receita da Ana Maria sem saber ligar o fogão. Pode discordar, pode perguntar, pode investigar. Grosseria, além de feia, envelhece pior que vinheta mal editada.
Do lado de cá, entrei no carro rumo à próxima parada da noite com uma certeza muito simples: Boni não precisou gritar para vencer a discussão. Só lembrou que história se conta com memória, pesquisa e respeito. O resto é comentário perdido tentando aparecer na abertura.