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Kátia Flávia
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Musictech brasileira leva agenda de negócios ao SXSW London em meio à expansão recorde do mercado musical

Paralelo.app integrou missão do CreativeSP no principal evento de inovação da Europa e busca ampliar conexões internacionais em um setor que movimentou quase R$ 4 bilhões no Brasil em 2025

Kátia Flávia

09/06/2026 17h30

Representantes das 10 empresas paulistas selecionadas para integrar a missão brasileira no SXSW London 2026.

Representantes das 10 empresas paulistas selecionadas para integrar a missão brasileira no SXSW London 2026.

Enquanto o mercado musical brasileiro registra números históricos e sobe posições no ranking global da indústria fonográfica, startups nacionais começam a acelerar sua presença internacional em busca de investimentos, parcerias e novos modelos de negócio. Foi nesse contexto que a Paralelo.app, plataforma brasileira especializada em inteligência cultural e descoberta de experiências de entretenimento, participou da missão empresarial brasileira no SXSW London 2026.

Selecionada pelo programa CreativeSP, iniciativa da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo e da InvestSP, a startup integrou uma delegação formada por dez empresas da economia criativa paulista que desembarcaram em Londres para uma agenda voltada à inovação, tecnologia e internacionalização.

A presença da empresa ocorre em um momento de forte crescimento do setor. Dados da Pro-Música apontam que a indústria fonográfica brasileira movimentou R$ 3,958 bilhões em 2025, avanço de 14,1% em relação ao ano anterior. O desempenho levou o Brasil à oitava posição entre os maiores mercados musicais do mundo pela primeira vez na história.

Fundadora da Paralelo.app e diretora de comunicação da MusicTech Brasil, Nathália Santos afirma que o desafio agora é transformar a relevância cultural do país em protagonismo tecnológico.

“O Brasil já é uma potência musical reconhecida globalmente. O próximo passo é desenvolver infraestrutura tecnológica capaz de gerar novos negócios, ampliar a monetização da cadeia produtiva e criar soluções para artistas, produtores e consumidores”, afirma.

Durante o SXSW London, a executiva participou de reuniões com representantes da indústria musical europeia, associações do setor e lideranças de tecnologia aplicada à música. A agenda incluiu discussões sobre inteligência artificial, análise de dados, descoberta de artistas, experiências para fãs e novas fontes de receita para o mercado.

Entre os destaques do evento esteve a participação do economista Will Page, ex-chefe de pesquisas do Spotify e uma das principais referências mundiais em economia da música. Em sua apresentação, Page apontou o Brasil como um dos mercados mais dinâmicos da indústria global, destacando a força do consumo local e o potencial ainda pouco explorado da inovação tecnológica aplicada ao setor.

A avaliação encontra respaldo nos números globais. Segundo a Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI), o mercado mundial de música gravada movimentou US$ 31,7 bilhões em 2025, crescimento de 6,4% na comparação anual.

Para Nathália, o cenário cria uma janela de oportunidade para o surgimento de uma nova geração de empresas brasileiras focadas em tecnologia musical.

“Existe espaço para construir soluções ligadas à inteligência artificial, dados, experiências ao vivo, monetização e relacionamento entre artistas e fãs. O crescimento do mercado mostra que a música deixou de ser apenas um produto cultural para se tornar também uma plataforma de inovação e desenvolvimento econômico”, afirma.

Além da atuação institucional da MusicTech Brasil, a Paralelo.app aposta justamente nessa convergência entre dados, comportamento de audiência e inteligência artificial para conectar consumidores a eventos, artistas e experiências culturais. A estratégia acompanha uma tendência global que vem transformando a forma como o público descobre conteúdo e se relaciona com a indústria do entretenimento.

Com o Brasil consolidado entre os dez maiores mercados musicais do planeta, a expectativa do setor é que os próximos anos sejam marcados não apenas pelo crescimento do consumo, mas também pela expansão de startups capazes de exportar tecnologia e conhecimento desenvolvidos localmente.

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