Eu estava aqui em Milão, num hotel com vista para um mercado imobiliário europeu que cobra a alma pelo metro quadrado, quando o relatório do Conselho Federal de Corretores de Imóveis caiu no meu radar com um número que merece atenção.
São 232.153 mulheres atuando na corretagem no Brasil, dentro de um universo de 654.573 profissionais registrados no COFECI. Isso representa 35,5% da categoria, e a curva segue em alta.

São Paulo concentra a maior fatia, com 79.676 corretoras registradas. Rio de Janeiro aparece na sequência com 25.096, e Santa Catarina fecha o pódio com 20.496. O Instituto Brasileiro de Educação Profissional, o IBREP, registrou crescimento de 40% na procura feminina pelo curso técnico em transações imobiliárias nos últimos cinco anos, puxado por autonomia, flexibilidade de horário e potencial de renda.
No digital, profissionais da área comemoraram os números com aquela energia de quem esperou anos para ter dado concreto na mão. O LinkedIn do setor imobiliário passou o dia com posts de corretoras comemorando, stories de formatura sendo repostados e um certo orgulho coletivo circulando nas redes com menos ironia do que o habitual.

A leitura que faço, da Europa, é que a corretagem de imóveis absorveu um perfil profissional que o mercado corporativo formal ainda insiste em subvalorizar: mulheres com capacidade de escuta afiada, inteligência relacional e disposição para construir confiança com o cliente. Diogo Martins, CEO do IBREP, disse exatamente isso no comunicado, e dessa vez o discurso corporativo bateu com a realidade dos números.
232 mil mulheres vendendo imóveis no Brasil. E ainda tem gente surpresa que o mercado imobiliário brasileiro continua aquecido.