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Kátia Flávia
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Mulher acusada de matar companheiro após abuso de filha é absolvida

Julgamento em Belo Horizonte terminou com absolvição da ré após os jurados acolherem a tese defensiva. A defesa sustentou que ela reagiu ao flagrar o homem abusando da filha de 11 anos.

Kátia Flávia

25/03/2026 10h30

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O episódio ocorreu em abril do ano passado, no bairro Taquaril, em BH, após a mulher suspeitar que ele havia assediado a filha dela. (Foto: Reprodução/ O Tempo)

Eu estava pronta para mais um capítulo de internet desgovernada quando Belo Horizonte entregou uma daquelas pautas que fazem o país inteiro sair distribuindo sentença pelo celular. No mundo real, quem decidiu foi o Tribunal do Júri. E decidiu absolver a mulher acusada de matar o companheiro no caso que sacudiu a cidade.

O ponto central do julgamento foi a tese apresentada pela defesa. Segundo essa versão, a mulher encontrou o homem abusando da filha dela, de 11 anos, dentro de casa, e reagiu. Os jurados acolheram essa narrativa em plenário e a ré foi absolvida.

A partir daí, o caso explodiu no tribunal paralelo mais barulhento do Brasil, a timeline. Teve post transformando trecho de reportagem em sentença final, legenda virando acórdão e gente tratando cada detalhe narrado como fato judicialmente carimbado do começo ao fim. Calma, minha gente. Uma coisa é o que foi sustentado e acolhido no julgamento, outra é a festa dramática que o feed faz com isso.

Também pesou no debate público a brutalidade do caso e a comoção provocada pelo depoimento da menina durante a sessão, além da soltura imediata da ré após o veredito. Aí pronto, o país entrou naquele estado clássico de novela criminal com comentário em caixa alta e especialista de ocasião brotando por todos os cantos. O brasileiro não acompanha caso rumoroso, ele se matricula emocionalmente nele.

No fim, o fato que fica é simples e pesado o bastante sem enfeite de internet. A mulher foi absolvida pelo júri, e a decisão soberana dos jurados encerrou o caso naquele tribunal. O resto é o velho carnaval digital de sempre, com toga imaginária, indignação performática e uma certeza que só quem não leu o processo costuma ter.

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