Menina, essa história dá um nó na garganta e revolta junto. Erlan Bastos, jornalista conhecido pelo jeito direto e sem medo, morreu aos 32 anos depois de fazer exatamente o que todo mundo pede. Ele falou. Ele avisou. Ele contou ao vivo que estava passando mal. E mesmo assim, a coisa saiu do controle.
Durante a apresentação do programa Bora Amapá, na NC TV Amapá, Erlan relatou sintomas que já assustariam qualquer pessoa. Inchaço na barriga, suor excessivo, mal-estar constante. Procurou uma UPA e saiu de lá com remédio pra gases. Voltou outra vez. Nada de exame. Voltou mais uma. Ainda assim, foi mandado pra casa.
Na quarta ida ao atendimento, ele mesmo pediu um exame de sangue porque sentia que aquilo não era normal. A resposta foi desanimadora. Pequena alteração no fígado, nada demais, pode ir embora. No dia seguinte, passou mal outra vez e voltou à unidade. Aí sim veio o susto. Um médico olhou os exames e mandou ir direto para o Hospital de Emergência. O diagnóstico mudou tudo.
Erlan Bastos estava com tuberculose peritoneal, uma forma rara da doença, agressiva e traiçoeira. Foi internado imediatamente, passou por novos exames, chegou a ser entubado e não resistiu. Morreu poucos dias depois, deixando a sensação amarga de que o alerta foi dado cedo demais pra ser ignorado e tarde demais pra ser revertido.
A trajetória dele já era marcada por luta. Nascido em Manaus, criado em família com poucos recursos, trabalhou como catador de latinhas, viveu situação de rua em São Paulo por meses e construiu espaço no jornalismo com muito esforço. Ganhou projeção nacional com o canal Hora da Venenosa no YouTube, passou por TV, rádio, portais e nunca teve medo de falar o que pensava.
Por isso essa história dói tanto. Não foi silêncio. Não foi descuido do próprio corpo. Foi alguém pedindo ajuda, insistindo, contando ao vivo que algo estava errado. O desfecho expõe falhas duras, aquelas que ninguém gosta de encarar, mas que custam caro demais.
Erlan Bastos deixa a mãe, irmãos, o companheiro e um vazio grande no jornalismo popular, aquele que fala direto com quem está do outro lado da tela. Fica também um alerta indigesto. Tem coisa que não pode ser minimizada. Porque às vezes, o corpo grita e ninguém quer ouvir.