Amadas , minha mãe acabou de me ligar emocionada, comentando a morte do rei romântico da jovem guarda. O Brasil perdeu Nilton César, aquele romântico assumido da Jovem Guarda que cantava paixão como quem escrevia carta perfumada. Aos 86 anos, ele saiu de cena em São Paulo, deixando de luto uma geração inteira que aprendeu a sofrer bonito ouvindo suas músicas no rádio da cozinha, no bar da esquina e na vitrola da sala.
Nilton estava internado na capital paulista e teve a morte confirmada nesta quarta-feira. A família optou pela discrição e não divulgou a causa. O velório acontece no Cemitério São Pedro, na Vila Alpina, com cremação no Crematório Vila Alpina. É o encerramento formal de uma carreira longa, popular e muito mais influente do que muita gente lembra.
De Ituiutaba para o Brasil inteiro, o mineiro Nilton Guimarães virou Nilton César e entrou no circuito da música nos anos 1960. Mudou-se para o Rio de Janeiro, frequentou programas da Rádio Tupi e ganhou projeção nacional ao se aproximar da turma da Jovem Guarda, na TV Record, circulando no mesmo universo de Roberto Carlos e companhia. Em 1964, lançou o primeiro disco pela Continental e abriu caminho para uma discografia extensa por selos como RGE, RCA Victor e Copacabana.
A virada veio em 1969 com “Férias na Índia”. A música virou fenômeno no início dos anos 1970, ultrapassou 500 mil cópias vendidas e rendeu uma sequência de discos de ouro. Num Brasil sem streaming, isso significava tocar sem pedir licença em praticamente toda casa com rádio ligado. Décadas depois, bastam os primeiros versos para muita gente cantar junto, mesmo sem ligar o nome à voz.
E não foi só esse hit que sustentou a carreira. Nilton César emplacou “A Namorada que Sonhei”, “Espere um Pouco… Um Pouquinho Mais”, “Amor Amor Amor”, “Felicidade”, “Amigo Não” e “Professor Apaixonado”, além de centenas de outras gravações. Ao longo da trajetória, registrou cerca de 500 músicas, transitando pelo rock de inspiração jovem-guardista e pelo romantismo sentimental que virou sua assinatura.
Ele passou pelos principais palcos do país, marcou presença em atrações populares como o Programa Silvio Santos e levou sua música para plateias da América Latina. Em homenagens recentes, voltou a ser lembrado como o “cantor das Américas” e “ídolo da Jovem Guarda”, títulos que explicam bem o tamanho que teve no auge.
Com o passar dos anos, o nome foi ficando mais distante do noticiário, enquanto as canções continuaram circulando por rádios de memória, karaokês, playlists nostálgicas e encontros de seresta. É aquele caso clássico em que todo mundo sabe cantar a música, mas nem sempre lembra quem está por trás da voz.