Eu estava na academia, no Leblon, tentando fingir intimidade com a esteira, quando veio a notícia: morreu Luiz Carlini. E aí, meu amor, não teve playlist motivacional que segurasse. O rock brasileiro perdeu um de seus guitarristas mais importantes, um homem que talvez muita gente não reconheça pelo rosto, mas que o Brasil inteiro já ouviu sem saber.
Carlini morreu aos 73 anos, em São Paulo. A causa da morte não foi divulgada. Guitarrista, compositor e diretor musical, ele fez parte do Tutti Frutti, banda que acompanhou Rita Lee em uma das fases mais importantes da carreira dela, logo depois da saída dos Mutantes.
É aí que mora o tamanho do legado. Luiz Carlini não foi apenas “o guitarrista de Rita Lee”. Ele ajudou a desenhar a fase em que Rita virou, com todas as letras, a Rainha do Rock. Foi com o Tutti Frutti que ela gravou discos fundamentais dos anos 1970, como “Fruto Proibido”, álbum que trouxe “Agora Só Falta Você” e “Ovelha Negra”.
E “Ovelha Negra”, convenhamos, não seria a mesma sem aquele solo final. Carlini criou uma das passagens de guitarra mais famosas da música brasileira. A história tem até cara de lenda: ele contou que sonhou com a melodia, acordou assobiando e insistiu para gravá-la quando a música já estava praticamente pronta. Gravou de primeira. Pronto. Nascia ali um pedaço de eternidade.
O guitarrista também trabalhou com nomes como Erasmo Carlos, Barão Vermelho, Titãs, Supla, Lobão, Vanguart e Guilherme Arantes. Participou de centenas de discos e seguia em atividade, o que torna a despedida ainda mais amarga.
A morte de Carlini vem carregada de simbolismo. Ele se foi na véspera da data em que a morte de Rita Lee completa três anos. Rita morreu em 8 de maio de 2023, aos 75 anos. Agora, o guitarrista que ajudou a amplificar sua rebeldia também sai de cena.
Fica a guitarra. Fica o solo. Fica aquela sensação de que, quando “Ovelha Negra” tocar de novo, não será só Rita que vai aparecer na memória. Vai ter Carlini ali também, fazendo a música subir, do jeito que só os grandes sabem fazer.