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Kátia Flávia
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Morre Luiz Carlini, guitarrista por trás da fase mais roqueira de Rita Lee

Criador do solo imortal de “Ovelha Negra”, músico do Tutti Frutti morreu aos 73 anos em São Paulo e ajudou a moldar o som da Rainha do Rock

Kátia Flávia

08/05/2026 9h30

luiz carlini

Foto: Reprodução/ YouTube Lira Filmes

Eu estava na academia, no Leblon, tentando fingir intimidade com a esteira, quando veio a notícia: morreu Luiz Carlini. E aí, meu amor, não teve playlist motivacional que segurasse. O rock brasileiro perdeu um de seus guitarristas mais importantes, um homem que talvez muita gente não reconheça pelo rosto, mas que o Brasil inteiro já ouviu sem saber.

Carlini morreu aos 73 anos, em São Paulo. A causa da morte não foi divulgada. Guitarrista, compositor e diretor musical, ele fez parte do Tutti Frutti, banda que acompanhou Rita Lee em uma das fases mais importantes da carreira dela, logo depois da saída dos Mutantes.

É aí que mora o tamanho do legado. Luiz Carlini não foi apenas “o guitarrista de Rita Lee”. Ele ajudou a desenhar a fase em que Rita virou, com todas as letras, a Rainha do Rock. Foi com o Tutti Frutti que ela gravou discos fundamentais dos anos 1970, como “Fruto Proibido”, álbum que trouxe “Agora Só Falta Você” e “Ovelha Negra”.
E “Ovelha Negra”, convenhamos, não seria a mesma sem aquele solo final. Carlini criou uma das passagens de guitarra mais famosas da música brasileira. A história tem até cara de lenda: ele contou que sonhou com a melodia, acordou assobiando e insistiu para gravá-la quando a música já estava praticamente pronta. Gravou de primeira. Pronto. Nascia ali um pedaço de eternidade.

O guitarrista também trabalhou com nomes como Erasmo Carlos, Barão Vermelho, Titãs, Supla, Lobão, Vanguart e Guilherme Arantes. Participou de centenas de discos e seguia em atividade, o que torna a despedida ainda mais amarga.
A morte de Carlini vem carregada de simbolismo. Ele se foi na véspera da data em que a morte de Rita Lee completa três anos. Rita morreu em 8 de maio de 2023, aos 75 anos. Agora, o guitarrista que ajudou a amplificar sua rebeldia também sai de cena.

Fica a guitarra. Fica o solo. Fica aquela sensação de que, quando “Ovelha Negra” tocar de novo, não será só Rita que vai aparecer na memória. Vai ter Carlini ali também, fazendo a música subir, do jeito que só os grandes sabem fazer.

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