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Kátia Flávia
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Morre Hikaru Kurosaki, o Jaspion, herói japonês que marcou uma geração no Brasil

Kátia Flávia

02/07/2026 10h30

Hikaru Kurosaki morreu aos 64 anos no Japão

Hikaru Kurosaki morreu aos 64 anos no Japão

Hikaru Kurosaki, ator japonês conhecido mundialmente por protagonizar “O Fantástico Jaspion”, morreu aos 64 anos. A notícia foi confirmada por Masaki Sekiguchi, amigo do artista e membro da Associação de Mergulho da Cidade de Motobu, em Okinawa, onde Kurosaki vivia desde que deixou a televisão. A causa da morte não foi divulgada.

Eu estava na academia, já no colchonete fingindo alongamento enquanto mexia no celular escondida do professor, quando apareceu a notícia da morte do Jaspion. Parei na hora. Tem luto que não é só de fã, é de infância inteira. De televisão ligada, dublagem brasileira na cabeça e aquela sensação de que o herói sempre ia aparecer no último segundo para resolver tudo.

Ator ficou mundialmente conhecido como protagonista de “O Fantástico Jaspion”
Ator ficou mundialmente conhecido como protagonista de “O Fantástico Jaspion”

Masaki Sekiguchi compartilhou o comunicado nas redes sociais. “Comunicamos, com pesar, o falecimento do Sr. Kurosaki, da operadora Mother Earth, membro da Associação de Mergulho da Cidade de Motobu. Como o Sr. Kurosaki morava sozinho, enviamos este comunicado para informar as empresas e parceiros do setor.”

Nascido em Osaka, em 31 de janeiro de 1962, Seiki Kurosaki passou a usar o nome artístico Hikaru Kurosaki e começou a carreira ainda jovem, primeiro como dublê. Antes de virar rosto principal de Jaspion, participou de produções da Toei Company que hoje são clássicos do gênero tokusatsu, como a versão japonesa de “Spider-Man”, “Battle Fever J”, “Denshi Sentai Denziman” e “Choudenshi Bioman”.

A virada veio em 1985, quando foi escolhido para interpretar Jaspion. A série foi exibida originalmente no Japão entre 1985 e 1986, mas encontrou no Brasil uma segunda casa. Por aqui, virou fenômeno de televisão, brinquedo, fita cassete, memória afetiva e culto pop.

Jaspion não foi apenas mais um herói japonês exibido por aqui. Ele virou senha geracional. Quem cresceu vendo a série lembra do visual metálico, das batalhas contra monstros gigantes, do Daileon, da trilha grudada na cabeça e daquela dramaticidade maravilhosa que fazia qualquer episódio parecer o fim do mundo.

Depois do sucesso, Kurosaki ainda tentou investir na carreira musical, lançando o álbum “The Legendary Hero” e alguns singles. Também voltou brevemente às telas em 1993, na série japonesa “Furikaereba yatsu ga iru”. Pouco depois, no entanto, decidiu deixar os holofotes.

A vida pós-TV teve outros caminhos. Ele trabalhou como vendedor de motocicletas, administrador de lanchonete e, por fim, instrutor de mergulho em Okinawa. Foi ali, longe da fama internacional e da imagem de herói, que passou os últimos anos.

Kurosaki foi casado com a atriz Yoko Asuka, que conheceu durante as gravações de “Choudenshi Bioman”. Ela morreu em 2011.

Eu fico pensando nessa curva: um homem que virou símbolo de coragem para milhões de crianças do outro lado do mundo, depois escolheu viver perto do mar, em silêncio, ensinando mergulho. Tem algo bonito e triste nisso. Como se o herói tivesse tirado a armadura, guardado o capacete e escolhido respirar de outro jeito.

Nas redes sociais, fãs brasileiros lamentaram a morte e lembraram a importância de Kurosaki para a cultura pop no país. Não é exagero dizer que Jaspion ajudou a abrir caminho para uma paixão nacional por tokusatsu, animes, séries japonesas e heróis vindos do outro lado do planeta.

Kurosaki deixou a TV nos anos 1990 e passou a viver em Okinawa como instrutor de mergulho
Kurosaki deixou a TV nos anos 1990 e passou a viver em Okinawa como instrutor de mergulho

Para muita gente, Hikaru Kurosaki foi o primeiro herói japonês de verdade. Antes de streaming, antes de fandom organizado, antes de nostalgia virar mercado, ele já estava ali, brilhando na TV, salvando a galáxia e fazendo criança brasileira acreditar que um traje prateado e uma nave gigante podiam vencer qualquer ameaça.

Hoje, o homem se vai. O herói, não. Jaspion continua naquele lugar onde a infância guarda suas coisas mais barulhentas e mais sagradas.

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