Anita Nobre, mãe do cantor Dudu Nobre e da ex-porta-bandeira Lucinha Nobre, morreu neste domingo (9), aos 78 anos. A notícia foi comunicada pelo próprio sambista nas redes sociais, em uma mensagem assinada pela família. A causa da morte não foi informada.
Eu seguia no voo de volta para o Rio, com a cabine já naquele silêncio comprido de quem desistiu de conversar com o próprio corpo, quando li a nota da família. Fechei a tela do assento, deixei o telefone no colo por alguns segundos e pensei no quanto o samba também é feito por quem nem sempre aparece no centro do palco.

Na publicação, a família escreveu que Anita deixa “seu amor, sua história e suas lembranças eternizados nos corações de seus familiares, amigos e de todos que tiveram o privilégio de conviver com ela”.
Dudu recebeu mensagens de solidariedade de amigos e artistas. Neguinho da Beija-Flor chamou Anita de “parceira, mulher forte, guerreira” e desejou conforto ao sambista e aos familiares. Belo também deixou um recado: “Deus conforte teu coração, querido! Receba meu sincero abraço. Sua mamãe descanse em paz”.
A ligação de Anita com o samba vinha de muito antes da fama dos filhos. Ao lado do marido, João Nobre, ela participou da organização de rodas de samba no Rio de Janeiro, especialmente durante os anos 1980. Esses encontros reuniam nomes como Beth Carvalho, Zeca Pagodinho, Jorge Aragão e Nelson Cavaquinho.
O restaurante da família também virou ponto de encontro de músicos e sambistas. Foi nesse ambiente que Dudu e Lucinha cresceram, cercados por artistas que depois se tornariam referências do samba carioca, entre eles Arlindo Cruz, Almir Guineto e Zeca Pagodinho.

Para Dudu, a influência da mãe foi direta. O cantor já contou em entrevistas que foi Anita quem comprou seu primeiro cavaquinho, ainda na infância. Às vezes a história de um artista começa exatamente assim: com uma mãe enxergando antes de todo mundo aquilo que o filho ainda nem sabia nomear.
Da minha poltrona, já pensando no Rio que me espera depois do pouso, ficou essa imagem bonita e triste: Anita como uma dessas mulheres que sustentam roda, família, memória e música sem precisar pedir licença. O samba perdeu uma matriarca. Dudu perdeu a mãe. E a família Nobre se despede de uma parte imensa da própria história.