Eu estava aqui, tentando sobreviver ao noticiário e a um café sofrido, quando a história da influencer Monniky Fraga reapareceu com a delicadeza de um camburão na porta. E não, meus amores, não era atualização qualquer. Era a polícia dizendo que o sequestro que comoveu tanta gente em abril do ano passado pode ter sido uma encenação para dar visibilidade à influenciadora. Aí a fofoca sai da categoria internet e entra na ala do Código Penal, que é bem menos charmosa.

Segundo a Polícia Civil de Pernambuco, Monniky foi presa nesta terça-feira, 24, na Operação Cortina de Likes. A investigação aponta que o falso sequestro teria sido armado com participação de outras três pessoas, além dela. Um dos envolvidos já está preso por outros crimes, outro foi morto antes da expedição do mandado, e um terceiro foi alvo de busca em São Paulo por supostamente ter recebido o dinheiro do resgate. O marido da influenciadora, ainda de acordo com a polícia, não sabia do esquema e teria sido vítima real da ação.
O que mais me chama atenção nessa história é o tamanho do tombo digital. Na época, Monniky ocupou espaço em veículos de comunicação contando o próprio relato, com toda a embalagem de tragédia pronta para circular, sensibilizar e render atenção. Agora, esse mesmo material vira arquivo tóxico, porque a internet adora uma hemeroteca vingativa. O print é o novo fantasma e ele sempre volta para cobrar aluguel.
Existe uma fome de visibilidade que deixou de ser vaidade e virou método. Muita gente já não quer apenas aparecer, quer estrear em praça pública com cara de sobrevivente, trilha de suspense e legenda emocionada. O problema é que a ficção nas redes costuma ser editável. Já a vida real vem com delegado, mandado e coletiva de imprensa. A pessoa monta um enredo para ganhar aura e termina entregando um estudo de caso sobre o desespero da fama.
No fim, fica aquele gosto amargo de espetáculo mal montado. Porque quando um caso assim implode, não derruba só a imagem de quem inventou o drama. Também embaralha a confiança em histórias sérias de verdade, daquelas que já têm dificuldade para serem ouvidas. Monniky quis o holofote. Conseguiu. Só esqueceu que luz demais também revela a sujeira do cenário.