Eu estava em Sintra, já naquele estado de quem olha para o celular e descobre que Lisboa, Brasil e o resto do mundo resolveram acontecer ao mesmo tempo, quando essa pauta chegou. E parei. Porque tem hora em que faixa, coroa e concurso de beleza precisam servir para alguma coisa maior do que fotografia bonita. Meninas, meus parabéns. É disso que eu estou falando.
As candidatas ao Miss Universo participarão, em 14 de novembro, do projeto Luz de Esperanza: Universo Rosa en Puerto Rico, no Complexo de Feiras de Ponce, em Porto Rico. A iniciativa será dedicada a mulheres que enfrentam ou já enfrentaram o câncer. Sob a liderança da médica Anna Di Marco, cada candidata será madrinha de uma paciente.

E não é madrinha para posar cinco minutos e desaparecer. A programação prevê atividades voltadas ao bem estar, autocuidado e valorização das histórias dessas mulheres. Um dos momentos centrais será um desfile em que candidatas e pacientes caminharão juntas. A proposta é colocar a visibilidade internacional do concurso a serviço de quem normalmente não ocupa aquele palco.
Marcella Kozinski, Miss Universe Brasil, resumiu bem a responsabilidade dessa faixa: “A visibilidade de uma Miss ganha sentido quando ajuda a dar voz a outras pessoas”. Ela afirma que pretende levar esse compromisso como representante brasileira. A diretora estratégica do Miss Universe Brasil, Natália Guimarães, também defende que os projetos sociais não acabem junto com a disputa e tenham continuidade depois dela.
Isso conversa diretamente com uma bandeira que o Miss Universe Brasil diz ter reforçado na edição nacional de 2026: cada candidata foi incentivada a desenvolver e assumir seus próprios projetos sociais. É uma diferença importante. Visibilidade sem continuidade rende foto. Projeto com presença, responsabilidade e trabalho pode deixar alguma coisa quando os refletores forem embora.

Li tudo aqui em Sintra e fiquei enlouquecida com a iniciativa, no melhor sentido. Concurso de beleza já entregou ao mundo vestido, coroa, passarela e décadas de espetáculo. Quando essa mesma máquina coloca mulheres com câncer no centro e usa sua audiência para ampliar histórias que merecem ser ouvidas, eu tiro o salto imaginário e bato palma de pé.