Amados , agora sim, vamos falar do que incomoda.
O MP olhou para a história do jovem perdido no Pico Paraná, respirou fundo e decidiu não tratar isso como aventura mal-sucedida. A Promotoria entendeu que houve omissão de socorro e apontou responsabilidade direta de quem seguiu a trilha enquanto o outro ficava para trás, passando mal, vomitando e claramente sem condições de continuar sozinho.
Roberto Farias Tomaz, 19 anos, desapareceu no primeiro dia do ano. Frio, chuva, neblina fechada e uma trilha que não perdoa erro. Enquanto a família entrava em pânico e os bombeiros mobilizavam equipes por cinco dias seguidos, ele caminhava no improviso, seguindo o curso de um rio, até cair numa fazenda em Antonina e pedir um telefone emprestado para avisar que estava vivo. Sobrevivência raiz, sem glamour nenhum.
Para o MP , o ponto central não está no desfecho quase cinematográfico, mas na decisão tomada lá atrás, ainda na montanha. A avaliação é que Thayane Smith percebeu o estado físico do amigo, foi alertada por outros montanhistas e mesmo assim optou por seguir adiante, sem acionar resgate e sem participar das buscas depois.
A Polícia Civil havia arquivado o inquérito por não ver crime. O MP discordou, reabriu o debate e levou o caso ao Juizado Especial Criminal com uma proposta objetiva. Indenização de três salários mínimos a Roberto, mais de oito mil reais para cobrir os custos do Corpo de Bombeiros e três meses de serviços comunitários, cinco horas por semana, justamente ao lado de quem passou dias subindo e descendo montanha atrás de alguém que ficou.
O recado é claro e nada romântico. Trilhas exigem preparo, parceria e responsabilidade. Quando alguém cai, passar reto deixa de ser escolha pessoal e vira assunto de Justiça. Aqui, a montanha não foi a única a cobrar o preço.