Menu
Kátia Flávia
Kátia Flávia

Milton Leite detona: Globo trocou competência por diversidade no esporte

Em entrevista ao Charla Podcast, o narrador afirmou que a emissora escalou profissionais sem o nível técnico para dividir espaço com ele no departamento de Esportes. A coluna anotou: dezenove anos numa casa, sair alegando cansaço e aí começar a falar, falar, falar

Kátia Flávia

29/04/2026 15h30

img 9254

Milton Leite detona: Globo trocou competência por diversidade no esporte | Reprodução

O almoço no Cosme Velho estava quase terminando quando um contato ligou com o link do Charla Podcast fresquinho. Milton Leite, o narrador de voz marcante que passou quase vinte anos na Globo antes de sair em 2024, resolveu abrir o coração e a boca ao mesmo tempo, e o resultado saiu em dose dupla.

O que ele disse, sem rodeio, é que a Globo colocou a pauta da diversidade na frente da qualidade das transmissões esportivas. Na entrevista, Milton afirmou que pessoas foram escaladas na TV Globo e no SporTV sem ter demonstrado competência suficiente para dividir espaço com ele.

Reconheceu que diversidade é exigência de mercado, que está certa, que tem que ter espaço para todo mundo. Mas emendou, e aí está o nó: na hora do “vamos ver”, ninguém ali estava fazendo melhor do que ele.

O pano de fundo dessa fala tem costura longa. Milton chegou à Globo em 2005 vindo da ESPN, justamente para cobrir a Copa do Mundo de 2006 na Alemanha, e construiu uma carreira sólida no SporTV ao longo de duas décadas. A saída em 2024 veio com o argumento oficial de cansaço. Hoje ele assina como principal nome da XSports, canal que cresce exatamente no vácuo deixado por narradores que a Globo perdeu ou descartou nos últimos anos.

O podcast viralizou na hora, e as redes dividiram o debate em dois blocos sem acordo à vista: de um lado, quem leu a fala como um profissional experiente com argumento legítimo sobre meritocracia; do outro, quem enxergou um senhor de cabelo branco incomodado por ter perdido espaço para gente que ele simplesmente não esperava encontrar ali. Os prints voaram, o nome de Milton entrou nos trending topics e cada comentário novo jogou mais lenha.

Olha, diversidade na tevê brasileira é dívida histórica e não tem discussão. Mas dar uma entrevista inteira explicando que ninguém era bom o suficiente para passar na sua frente, após anos de silêncio institucional, tem cheiro de conta que não fechou por dentro, não por fora.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado