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Kátia Flávia
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Mike Tyson crava volta ao Brasil após 15 anos e turbina a ExpoCannabis

Dono da Tyson 2.0, o campeão dos ringues estará no estande da Futurola de 20 a 22 de novembro de 2026, no São Paulo Expo, numa feira que projeta até 50 mil visitantes.

Kátia Flávia

30/09/2026 17h00

Mike Tyson retorna ao Brasil após 15 anos para participar da ExpoCannabis Brasil 2026, em São Paulo.

Mike Tyson retorna ao Brasil após 15 anos para participar da ExpoCannabis Brasil 2026, em São Paulo.

Eu estava na varanda da casa em Sintra, taça de vinho verde na mão e a serra já escurecendo, quando o telefone tocou do Brasil. Larguei a taça no parapeito e fiquei de pé. Mike Tyson volta ao país depois de 15 anos, anunciou ele mesmo em vídeo, e já tem endereço marcado: o estande da Futurola na ExpoCannabis Brasil 2026, em São Paulo. Gente, que loucura.

O Tyson que desembarca em novembro chega de pasta executiva. Ele fundou a Tyson 2.0, marca que vende flores, vaporizadores, comestíveis e acessórios em mercados regulamentados dos Estados Unidos, como Nova York. Aqui a conta muda de figura, porque a venda recreativa segue proibida no Brasil. O negócio então é de vitrine: a feira ganha a manchete que vende ingresso e patrocínio, e ele planta o nome num mercado que ainda não pode abastecer.

Agora o bastidor que me faz aplaudir esse homem como empresário. O produto mais famoso da marca são as Mike Bites, gomas em formato de orelha, piada assumida com a mordida que ele deu em Evander Holyfield no ringue em 1997. Quase trinta anos depois, o CEO da Mordida transformou o pior momento da carreira em linha de produto com código de barras. Tem executivo da Faria Lima que passa a vida inteira tentando apagar escândalo, e ele pôs o dele no rótulo.

A ExpoCannabis Brasil é franquia da ExpoCannabis Uruguai e chega à quarta edição com o tema “Para Além da Planta”. A trajetória explica a contratação: foram 21 mil visitantes em 2022, 40 mil em 2023 e 42 mil em 2024. O salto virou passinho, e agora a organização projeta entre 47 mil e 50 mil pessoas em três dias. Nada como um peso pesado para destravar o gráfico.

A CEO Larissa Uchida chamou a vinda dele de marco e disse que ela mostra o interesse que o mercado brasileiro desperta lá fora. Frase de palco, claro, mas a lógica fecha: nome global atrai imprensa global, e imprensa global atrai quem assina cheque de patrocínio.

Para quem pretende ir, o recado é prático. A entrada é só para maiores de 18 anos, e não conte com Mike Bites na sacola, porque o que é produto nos Estados Unidos continua fora da prateleira aqui. Para a feira, o risco mora na dependência de um nome só: se a meta de 50 mil pendura numa orelha famosa, a edição pós Tyson vai precisar de outro soco.

Daqui de Sintra, eu brindo de longe. O homem já transformou orelha em faturamento. Imagina o que faz com três dias de corredor lotado em São Paulo.

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